O então ministro da Educação Milton Ribeiro teria dado aval para a distribuição de propina para os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura por meio de contratos de obras federais em escolas. Em um acordo, negociado em R$ 5 milhões dinheiro vivo, o montante seria levado escondido em uma roda de caminhonete de Belém para Goiânia, onde fica a igreja dos pastores.

O caso foi revelado pelo jornal Estadão nesta quinta-feira (22/9). O empresário da construção civil e candidato a deputado estadual pelo Pará Ailson Souto da Trindade (PP) revelou o esquema em entrevista à reportagem.

Segundo o depoimento, Trindade teria recebido a garantia do então ministro de que as obras seriam entregues a ele, em troca de “ajuda” à igreja dos pastores. O empresário disse ainda que proposta foi firmada em uma reunião com prefeitos no Ministério da Educação.

 

“Eu não sabia nem quem era o ministro. Ele se apresentou: ‘Eu sou Milton, o ministro da Educação, e o Gilmar já me passou o que ele propôs para você e eu preciso colocar a tua empresa para ganhar licitações, para facilitar as licitações. Em troca você ajuda a igreja. O pastor Gilmar vai conversar com você em relação a tudo isso”, contou.

 

O empresário também detalhou como funcionaria o repasse: “Eles falaram: ‘existe uma proposta para tu fazer isso (as obras)’. Aí eu disse: ‘que proposta?’. ‘Bom, a gente está precisando reformar umas igrejas e estamos precisando também construir alguns templos, no Maranhão, no Pará, e também outros lugares. Então estamos precisando de R$ 100 milhões para fazer isso’”, disse.

“Aí eu falei: ‘mas o que que eu vou ganhar em troca? Como é que vai acontecer? A igreja vai contratar minha empresa?’ ‘Não, a gente faz um contrato, entendeu? Faz o contrato com a empresa, a igreja contrata a tua empresa e eu consigo articular para tua empresa fazer as obras do governo federal.’”

Estelionato

Trindade responde por estelionato diante da acusação de aplicar golpes com a promessa da liberação de empréstimos para beneficiários do Bolsa Família. Ele afirma que não foi intimado judicialmente no caso.

Segundo a reportagem, os encontros descritos pelo empresário batem com os registros de entrada na sede da pasta, com fotos nas redes sociais e com a agenda do ex-ministro.

“Eles queriam R$ 5 milhões em dois dias. Eu falei: ‘mas eu não posso fazer esse tipo de negócio, eu sou empresário, eu não vou fazer uma coisa assim sem nenhum contrato’. E eles queriam que eu colocasse no pneu de uma caminhonete e mandasse para lá. Eu disse: ‘não, gente, vamos fazer em conta porque como é que eu vou saber… se não der certo, como vou provar que eu paguei?’ Aí eu fiquei com medo desse tipo de negociata. Daí queriam 5 milhões logo e depois de 15 dias queriam mais R$ 50 milhões”, relatou o empresário.

 

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