Pesquisa Datafolha mostra que o percentual de brasileiros que esperam uma piora na sua situação econômica passou de 22% em dezembro para 38% em março deste ano, um dos piores resultados registrados nas pesquisas sobre o tema, que têm início em 1997.

Os percentuais acima desse patamar só foram registrados no início de 2006, de 40% no governo Lula, e em 2014, de 41% no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. No primeiro caso, vivia-se o fim de um período de crise econômica. No segundo, o início de outra.

A nova pesquisa também mostra que a expectativa de melhora na própria situação econômica caiu de 31% em dezembro do ano passado para 14% em março deste ano, ponto mais baixo da série histórica.

Para outros 47%, a sua situação financeira vai ficar como está. Eram 46% na pesquisa anterior.

O pessimismo é maior entre as mulheres (41%) do que entre os homens (33%); entre as pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos (44%) do que entre os com renda superior a dez salários (23%); no Sul (39%) e Nordeste (40%) do que no Norte/Centro-Oeste (34%), além de chegar a 53% entre os desempregados.

Atinge 43% entre os que receberam auxílio emergencial em 2020 e cai para 35% entre os que não pediram o benefício.

Entre aqueles que acham que sua situação vai melhorar, os maiores percentuais estão entre empresários (26%) e estudantes (24%), renda superior a dez salários mínimos (22%), moradores do Norte/Centro-Oeste (20%), evangélicos (18%), pessoas que dizem não ter medo do coronavírus (23%) e/ou que avaliam o presidente como ótimo/bom (21%).

A piora na expectativa sobre a situação financeira da maioria dos entrevistados se dá em um momento de agravamento da crise sanitária, com recordes de mortes, novas medidas de restrição de circulação e atraso no cronograma de vacinação.

O sucesso da vacinação é apontado pela própria equipe econômica do governo Jair Bolsonaro (sem partido) como única política capaz de recuperar a economia.

O país também vive desde o ano passado uma nova recessão, com expectativa de crescimento insuficiente para recuperar as perdas da crise, desemprego recorde e a volta da inflação após a disparada do dólar.

Outra questão que atinge o otimismo dos brasileiros é o fim do pagamento do auxílio emergencial, que será reeditado neste ano com valores menores e com prazos e público mais restrito.

O país também é alvo da desconfiança de investidores, por conta da recuperação incerta e dos riscos fiscais diante da resistência de Bolsonaro e do Congresso em adotar medidas de ajustes nas contas públicas, como mostraram a votação recente da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial e a derrubada de vetos presidenciais estimulada pelo próprio presidente para favorecer igrejas.

A pesquisa foi realizada antes de o Banco Central anunciar o primeiro aumento da taxa básica de juros em seis anos e dizer que a Selic deve continuar subindo nos próximos meses, devido ao risco de descontrole inflacionário, apesar da economia ainda fraca.
O levantamento mostrou que a piora da crise sanitária, com seus efeitos econômicos, afetou diretamente a popularidade de Bolsonaro desde o começo deste ano. Tanto a rejeição ao presidente no geral quanto no seu manejo da pandemia estão em níveis recordes: 44% e 54%, respectivamente.

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