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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem mantendo a série de reuniões que iniciou desde que teve suspensas todas as penas sofridas no âmbito da Operação Lava Jato. Dentre as lideranças com as quais Lula tem se encontrado muitas delas integram o MDB. Renan Calheiros, José Sarney, Eunício Oliveira e Jader Barbalho estão dentre os nomes com os quais Lula vem conversando nos últimos dias.

Os primeiros alvos nessa empreitada foram quatro caciques com profundo conhecimento político, mas que, até recentemente, pareciam aposentados. O passo inicial foi dado numa longa ligação telefônica com Renan Calheiros (AL). Ambos chegaram à conclusão de que seria um erro se reunirem no momento em que o alagoano é o relator da CPI da Covid-19, que investiga os desmandos de Jair Bolsonaro na pandemia. Mas Renan prometeu se tornar o fiador desse reencontro de antigos aliados e incentivou Lula a estar pessoalmente com outros luminares que exercem grande influência na legenda e também em seus estados. Foi exatamente depois desse telefonema que o petista foi a Brasília se reunir com o ex-­presidente José Sarney (MA) e os ex-­presidentes do Senado Eunício Oliveira (CE) e Jader Barbalho (PA).

O ex-­presidente sabe que o tempo joga a seu favor e tem sido cauteloso em todas as (dezenas de) conversas. Apesar de perguntar qual é a pretensão eleitoral de cada interlocutor, o petista não apresenta planos imediatos de aliança nem faz imposições para subir em palanques estaduais. Em primeiro lugar, ele agradece o que considera lealdade dos emedebistas no tempo em que esteve preso. Mesmo com o partido liderando o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, Lula nunca deixou a relação com esses velhos caciques se deteriorar. No momento, está tão interessado em reeditar a parceria que pediu para ser atualizado sobre como funciona o sistema de votação da executiva nacional do MDB e já mapeou quantos votos cada liderança possui.

Exercer influência nos palanques estaduais, no entanto, é a forma mais eficaz para Lula garantir apoio num partido que se comporta como uma federação cheia de divisões internas. Um acerto com Eunício minimizaria a influência de Ciro Gomes no Ceará, o principal reduto eleitoral do pedetista. Uma parceria com Jader colocaria Lula no palanque do governador do Pará, Helder Barbalho, que deve buscar a reeleição com o apoio da esquerda local.

Já Sarney tem manifestado preferência por uma terceira via, mas dificilmente se aliaria a Bolsonaro num segundo turno contra o petista. A filha do ex-presidente, Roseana Sarney, deve sair candidata a deputada federal, endossando Lula. Nessas articulações, o petista se reaproximou do ex-ministro Edison Lobão, um personagem ainda influente no Maranhão, e mantém uma boa relação com o ex-­deputado Lúcio Vieira Lima, o principal mandachuva do MDB baiano e irmão do preso Geddel — ambos foram condenados por lavagem de dinheiro e associação criminosa no episódio da fortuna de 51 milhões de reais encontrada em um apartamento em Salvador em 2017.

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