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LONDRES | BBC NEWS BRASIL

ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi às redes sociais na noite de domingo (5) para anunciar que está de novo com Covid-19. Sua esposa, Rosângela da Silva, a Janja, também testou positivo

“Os dois estão bem, o ex-presidente [está] assintomático e Janja [tem] sintomas leves. [Eles] ficarão em isolamento e acompanhamento médico nos próximos dias”, informa a postagem feita no Twitter.

No caso de Lula, chama a atenção o fato de ele ter recebido a quarta dose da vacina no início de abril. O pré-candidato à Presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT) também já foi diagnosticado com Covid ainda no primeiro ano de pandemia, em dezembro de 2020.

Mas, afinal, como é possível ter a doença pela segunda vez, mesmo com o esquema de imunização em dia e um episódio prévio de infecção pelo coronavírus?

As evidências científicas apontam pelo menos três fatores que ajudam a responder a esta pergunta: queda da imunidade com o passar do tempo, aparecimento de novas variantes e alta circulação do vírus.

PARA QUE SERVEM AS VACINAS

A imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, questiona o que significa “pegar Covid” nos dias de hoje.

“O que é pegar Covid? É ficar doente e ir para o hospital? Ter sintomas leves? Ou simplesmente testar positivo? Precisamos entender que testar positivo não significa estar com Covid”, diferencia.

“E as vacinas não impedem a infecção. Enquanto o vírus circular, as pessoas se infectarão”, complementa a especialista.

Independentemente do tipo de tecnologia usada, as vacinas têm um objetivo principal: fazer com que nosso sistema imune seja exposto com segurança a um vírus ou a uma bactéria (ou pedacinhos específicos deles).

A partir desse primeiro contato, que não vai prejudicar a saúde, nossas células de defesa geram uma resposta, capaz de deixar o organismo preparado caso o agente infeccioso de verdade resolva aparecer.

Acontece que esse processo imunológico é extremamente complicado e envolve um enorme batalhão de células e anticorpos. A resposta imune, portanto, pode variar consideravelmente segundo o tipo de vírus, a capacidade de mutações que ele tem, a forma como é desenvolvida a vacina, as condições de saúde da pessoa…

No meio de todos esses processos, portanto, é muito difícil desenvolver um imunizante que seja capaz de evitar a infecção em si, ou seja, bloquear a entrada do causador da doença nas nossas células.

Mas aí vem um ponto muito importante: mesmo nos casos em que a vacina não consegue prevenir a infecção, muitas vezes a resposta imune criada a partir dali pode tornar os sintomas menos graves nas pessoas que foram imunizadas, prevenindo assim doenças mais severas e óbitos.

Isso ocorre, por exemplo, com as vacinas contra o rotavírus e a gripe: quem as toma pode até se infectar, mas o risco de desenvolver formas mais graves dessas doenças é reduzido consideravelmente.

Folha de S.Paulo

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