O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de sua comitiva, da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann e do governador do Piauí, Wellington Dias, concedeu entrevista coletiva à imprensa piauiense nesta quarta-feira, 18 de agosto, no Hotel Blue Tree, na zona Sul de Teresina, em seu segundo dia de visita ao estado.

Questionado sobre o diálogo com o Centrão, Lula pontuou que já viu muito candidato sendo rifado no processo eleitoral.  “O centrão não é um partido, é uma junção de forças políticas. O centrão não vai agir como partido político durante o processo eleitoral, e eu tô cansando de ver candidatos à Presidência da República sendo rifados”.

Lula indicou que acredita que o casamento entre Bolsonaro e Ciro Nogueira será mais curto do que se imagina. “Eu não sei por quanto tempo Ciro ficará com Bolsonaro, e acredito que esse casamento será mais curto do que se imagina. E eu tenho conversado com o PP, o Ciro tomou uma decisão, não sei se foi coletiva, vamos ver o que ele vai conseguir, o Bolsonaro já perdeu esses dias o voto impresso, já perdeu o distritão”.

Processos da Lava Jato

Lula realizou um discurso antes de responder as perguntas da imprensa, onde relembrou os processos aos quais foi alvo no âmbito da Lava Jato, agradecendo a todos que se solidarizaram a ele. “Quero agradecer a solidariedade internacional que foi muita, e quando eles foram viajar (ministros da Suprema Corte) se incomodavam, pois cobravam e cobravam muito”, disse.

O ex-presidente direcionou-se à Lava Jato, dizendo que os seus “acusadores deixaram de ser heróis para ser uma quadrilha de mentirosos”. “Eu não sei se meus acusadores estão conseguindo dormir sem tomar Lexotan, pois sabem que deixaram de ser heróis para ser uma quadrilha de mentirosos”, frisou.

O petista destacou ainda que não fala como candidato, e que “não tem pressa”, mas que percorrerá todo o Brasil conversando com os distintos setores. “Quero dizer a vocês que estou aqui, não estou falando como candidato, não temos que ter pressa. Mas eu quero percorrer todo o Brasil, conversar com partidos, conversar com empresários, para despertar a indignação neles, esse país foi tomado por um ódio sem precedentes, tudo por conta da Lava Jato”.

Polarização x violência na campanha

Lula também foi questionado sobre os discursos de ódio durante as eleições e rechaçou a violência na campanha, sinalizando que a polarização é normal, mas nunca havia tido violência, segundo ele, uma campanha mais violenta começou a ser observada apenas no pleito com Aécio Neves. O ex-presidente pontuou que não fomentará uma campanha de ódio.

“O problema de uma campanha eleitoral não é a polarização, pois ela existe em todos os países do mundo. A polarização é normal quando tem dois candidatos disputando a eleição, o que temos que perceber não é uma polarização radical, extremista, porque temos de um lado uma candidatura que pode representar a democracia e do outro uma que representa o facismo, eu rogo a Deus que os partidos lancem mais candidatos. Já disputei campanha com Collor, com FHC, e nunca teve violência na campanha, a violência na campanha começou com o senhor Aécio Neves e depois o Bolsonaro aproveitou desse ódio. Da nossa parte não haverá jogo rasteiro, da nossa parte queremos dialogar com o povo brasileiro”, destacou.

O petista destacou ainda a importância de se constituir maioria no Congresso Nacional, para garantir a governabilidade. “Estou cumprindo uma determinação da minha presidente (Gleisi Hoffmann), é preciso ter em conta que você não vai conseguir governar se não tiver uma maioria de deputados que pensem como o partido que ganhou pensa. Precisamos valorizar a eleição para deputado. O que acho é o seguinte a Gleisi propôs que precisamos lançar o maior número de candidatos possíveis nos Estados para que possamos nos apresentar numa correlação de forças muito maior do que temos hoje, e essa deve ser prioridade na campanha de 2022”, disse.

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