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Como é o combustível de um avião? Quanto custa? O mais popular é o querosene de aviação, e há uma surpresa com relação ao seu valor: a gasolina dos carros está muito mais cara: 67% a mais que o querosene.

O litro do QAV (querosene de aviação) era vendido ao consumidor final por uma média de R$ 3,787 em outubro. No mesmo período, a gasolina comum dos carros custava R$ 6,341 na bomba. Os dados são de levantamento nacional da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Esses números são uma média, e podem ser encontrados valores maiores e menores.

BORDO

REPORTAGEM

Litro da gasolina custa em média 67% mais que querosene de aviação

Combustível fica armazenado, geralmente, nas asas e barriga do avião, que podem ter capacidade para até centenas de milhares de litros - Divulgação
Combustível fica armazenado, geralmente, nas asas e barriga do avião, que podem ter capacidade para até centenas de milhares de litrosImagem: Divulgação

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/11/2021 04h00

Como é o combustível de um avião? Quanto custa? O mais popular é o querosene de aviação, e há uma surpresa com relação ao seu valor: a gasolina dos carros está muito mais cara: 67% a mais que o querosene.

O litro do QAV (querosene de aviação) era vendido ao consumidor final por uma média de R$ 3,787 em outubro. No mesmo período, a gasolina comum dos carros custava R$ 6,341 na bomba. Os dados são de levantamento nacional da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Esses números são uma média, e podem ser encontrados valores maiores e menores.

 

Normalmente, a gasolina dos carros é mais cara mesmo que o querosene dos aviões. Mas a diferença ficou muito grande nos dois últimos anos. Em outubro de 2020, a diferença média foi alta também (78%). Mas em outubro de 2019, era de 48%. Em novembro de 2018, estava em 32% (outubro de 2018 não está disponível no site da ANP).

O combustível de aviação é um produto cercado de peculiaridades que o diferenciam do combustível de um automóvel. Ele precisa ser capaz de operar em ambientes com temperaturas que vão desde os -50º C em voo até mais de 40º C no solo, entre outras características.

Outro combustível também utilizado na aviação, mas, geralmente, em aviões de menor porte, é a gasolina de aviação (GAV ou AVGas), produto mais processado e com características diferentes da gasolina comum. Em outubro, o litro dela foi comercializada por um valor médio de R$ 7,218 ao consumidor final.

Confiabilidade

Embora não seja possível uma comparação direta entre os dois derivados de petróleo, já que os tipos de subprodutos são diferentes, é importante frisar que o combustível de avião tem de passar por critérios mais rigorosos de produção. Sua confiabilidade tem de ser mais elevada, já que não dá para parar um avião no acostamento quando o motor “engasgar”.

Ainda é preciso lembrar que um carro possui um tanque com cerca de 50 litros de capacidade, enquanto um Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, consegue transportar até 320 mil litros de combustível. Por isso, cada centavo conta na hora de baratear o custo de uma operação aérea.

Caminhão-bomba - Divulgação/Barcex - Divulgação/Barcex
Caminhão-bomba abastecendo um avião com combustível duto subterrâneo do aeroporto de Amsterdã (Holanda)

Imagem: Divulgação/Barcex

Tipos

Os principais tipos de combustível de aeronaves são o querosene (ou, QAV – Querosene de Aviação), a gasolina (GAV ou AVGas). Há ainda o uso de etanol, além de estarem sendo feitos testes para aviões movidos a eletricidade, hidrogênio e alguns combustíveis sustentáveis, chamados de SAF (Sustainable Aircraft Fuels – Combustível de Aeronaves Sustentável, em tradução livre), que reduzem a emissão de gás carbônico desde a produção até a queima.

O querosene de aviação é, geralmente, utilizado em aviões comerciais grandes e turboélices, e a gasolina, em aviões menores, como aqueles a pistão. O etanol, como o do carro, por sua vez, é o combustível do avião agrícola Ipanema, da Embraer.

Impacto no valor das passagens aéreas

Passagem - Getty Images - Getty Images
Preço da passagem aérea não sobe automaticamente com a alta dos combustíveis

Imagem: Getty Images

Segundo a Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas), não há uma relação linear entre o aumento do preço dos combustíveis e o valor da passagem aérea, havendo vários fatores que influenciam na formação desse preço e cada empresa tem sua estratégia própria nessa formulação. Entretanto, combustível e lubrificantes representam em média 30% dos custos das companhias aéreas no Brasil, fatia que caiu para 25% entre 2020 e o primeiro semestre de 2021 com a realização de menos voos no período.

Esse valor somado a outros, como leasing e manutenção dos aviões, chegam a 50% dos custos e despesas da empresas, e todos eles são vinculados ao dólar, que vem batendo recordes consecutivos de alta. Junto a isso, no Brasil é cobrado ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis para voos domésticos dentro do país, prática inexistente em outras regiões, segundo a Abear.

De acordo com a associação, isso explica o motivo de algumas vezes uma viagem internacional ser mais barata do que uma dentro do Brasil, considerando distâncias similares. Somados, esses fatores tornam o custo do combustível no país cerca de 40% maior que a média mundial.

Ainda, o querosene de aviação registra uma alta acumulada em 2021 maior que a da gasolina de automóveis e do gás de cozinha (GLP – Gás Liquefeito de Petróleo). Enquanto o QAV aumentou 47,7% entre 4 de janeiro e 25 de outubro, a gasolina aumentou 43,5% e o gás 36,1%. Na semana seguinte, a alta acumulada do querosene de aviação em 2021 chegou a 71,1%, segundo a Abear.

Os valores registrados no segundo trimestre de 2021 foram 91,7% maiores em relação ao mesmo período de 2020. Assim, mesmo que o aumento no preço do combustível não reflita, imediatamente, no aumento da passagem, ele pesa sobre as empresas que, com o tempo, devem repassar isso aos clientes.

Impacto em voos longos é menor

Viagem avião - iStock - iStock
Em voos longos, o consumo de combustível representa fatia menor do custo total da viagem

Imagem: iStock

O período em que um avião começa a decolar até atingir sua altitude de cruzeiro é o que mais consome combustível em comparação com outras etapas. Assim, voos mais curtos, onde esse espaço de tempo representa uma fração maior do voo, costumam ser mais impactados com o aumento no preço do combustível.

Segundo Ruy Amparo, diretor de segurança e operações de voo da Abear, os voos mais longos se tornam mais eficientes por alguns motivos. Um deles é o fato de os aviões terem melhor desempenho em altitudes mais elevadas, onde é possível voar mais rápido com uma mesma quantidade de combustível do que se estivesse voando mais próximo ao solo.

Assim, aviões que chegam a essa altitude, considerada de cruzeiro, poderão economizar na queima de combustível. “Em voos curtos (como a ponte aérea Rio-São Paulo, por exemplo), um Airbus A320 não chega a atingir sua altitude máxima, enquanto em um voo de Guarulhos (SP) a Fortaleza (CE) é possível fazer boa parte do voo de cruzeiro nesta altitude para reduzir o consumo”, diz Amparo.

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