Em João Pessoa, casos de corrupção, indefinição de candidaturas e o grande número de competidores são algumas das razões apontadas. Na cidade, o diretório regional do PT lançou candidatura própria de Anísio Maia. O diretório nacional, no entanto, aprovou a indicação do vice na chapa do ex-governador e candidato a prefeito Ricardo Coutinho (PSB). Nesta semana, a Justiça determinou que o PT retirasse a indicação de vice de Coutinho. Segundo o professor José Artigas, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), os principais grupos políticos da cidade racharam nos últimos anos.

“Temos um cenário hoje de muita instabilidade. Há uma disputa judicial em torno de duas candidaturas, e tivemos casos recentes de corrupção envolvendo umas das principais lideranças do estado. Aliado a isso, diria ainda que o fim das coligações estimulou o lançamento de muitas candidaturas por aqui. São 14 candidatos. Os eleitores estão sem saber direito quem são os candidatos e se as candidaturas são mesmo para valer. Isso tudo contribui para esse percentual de brancos e nulos nesse momento”, observa Artigas.

A primeira rodada de pesquisas do Ibope mostra uma diferença significativa no percentual de eleitores que pretendem votar em branco ou anular o voto em 13 capitais pesquisadas. O percentual vai de 10%, registrado em Florianópolis, a 28%, no Rio de Janeiro, o maior patamar identificado. A margem de erro é de quatro pontos percentuais na pesquisa da cidade do Sul do país e de três na do Sudeste.

Atrás da capital fluminense, aparece Recife (22%) e, logo depois, Natal e João Pessoa, ambas com 20%. Especialistas apontam uma série de fatores locais para explicar esses percentuais. Eles ressaltam que os números devem cair nas próximas semanas, com o aquecimento das campanhas, mas, em alguns casos, essa redução deve ser mais lenta que o esperado.

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Intenção de voto branco/nulo nas capitais, segundo o Ibope — Foto:  G1

Intenção de voto branco/nulo nas capitais, segundo o Ibope — Foto: G1

Cientista político e professor da Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio), Felipe Borba explica que, no Rio, os eleitores vivem há alguns anos crises sucessivas na política local que contribuem para o alto percentual de brancos e nulos.

“A experiência recente dos cariocas nos últimos anos foi muito negativa. Governadores presos, governador afastado, uma administração pública com alto percentual de avaliação negativa. Todos esses fatores contribuem para o clima de desesperança. O eleitor fica descrente, não acredita que o quadro possa mudar”, diz Borba.

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