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Os jornalistas José Hamilton Ribeiro Eduardo Faustini, da Rede Globo, foram demitidos na quinta-feira, 25 de novembro. Hamilton reforçou o jornalismo da emissora por mais de 40 anos, com passagens pelo “Fantástico”, “Globo Repórter” e “Globo Rural”. Já Faustini era um dos principais repórteres investigativos do “Fantástico”, onde fazia as vezes de “Repórter Secreto”. Ele estava na Globo desde o início dos anos 90

Em nota, a emissora confirmou as demissões e disse que os jornalistas saem “de comum acordo depois de uma linda trajetória na TV”.

Ambos fizeram história na Globo. Hamilton, que começou em 1981 na emissora, soma mais de 60 anos de carreira e chegou a perder uma perna durante a cobertura da Guerra do Vietnã para a revista Realidade em 1968.

Faustini, que manteve a idade e rosto desconhecido para dar “ênfase” ao segredo de sua identidade, é um dos maiores nomes do jornalismo investigativo no Brasil. Especializou-se no uso de microcâmera escondida para a realização de reportagens, uma técnica polêmica, questionada, mas muito eficaz para revelar variados tipos de crimes.

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A TRAJETÓRIA DE JOSÉ HAMILTON RIBEIRO

Com a alcunha de ‘repórter do século’, Hamilton já trabalhou no jornal Folha de S. Paulo antes de entrar para a Globo. Na emissora, atuou como freelancer para o “Globo Rural”, na década de 80, e depois passou a compor a equipe fixa do programa.

Durante a Guerra do Vietnã, o jornalista perdeu a perna esquerda e machucou a direita após pisar numa mina terrestre. Ele ganhou diversos prêmios como o Maria Moors Cabot, concedido a jornalistas pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Recentemente, ao participar do “Programa Amaury Jr.”, Hamilton relembrou o que aconteceu na época: “Houve uma explosão muito grande, o mundo acabou à minha frente, uma fumaça muito preta, uma escuridão muito grande. A sensação que eu tinha é que a bomba tinha explodido no soldado que estava à frente, não em mim. Só quando se desgastou essa fumaça, quando vi o soldado inteiro, em pé, com os olhos esbugalhados, com a expressão de horror diante do que ele estava vendo… Olhei para baixo e percebi que estava escorregando uma ‘torneira de sangue’”, contou.

A TRAJETÓRIA DE EDUARDO FAUSTINI

Conhecido como o “Repórter Secreto do Fantástico”, Eduardo Faustini, com suas reportagens, já denunciou esquemas de corrupção, guerras entre policiais e traficantes e grupos de extermínio.

Sua carreira iniciou na extinta Manchete, no final da década de 1980, no “Documento Especial”. No “Fantástico”, estava desde 1995 e na revista eletrônica, Faustini estendeu os limites do jornalismo investigativo. Ele já fingiu ser idoso para flagrar e denunciar os maus-tratos em asilos no Brasil; passou-se por caminhoneiro para mostrar os esquemas de propina em rodovias; flagrou a insegurança no sistema aéreo brasileiro, embarcando com uma réplica de um fuzil e um pacote de açúcar simulando cocaína; mostrou o esquema das funerárias que vendiam atestados de óbitos que serviam até para encobrir assassinatos;

mostrou o esquema das funerárias que vendiam atestados de óbitos que serviam até para encobrir assassinatos; expôs a fraude em bombas de gasolina dos postos de combustíveis com o uso de controle remoto; e participou de uma operação dentro do caveirão da Polícia do Rio de Janeiro em uma comunidade dominada por traficantes.

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