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O incentivo do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao garimpo em áreas de proteção ambiental no país, que inclui articulações para envio à Câmara dos Deputados de projeto de lei de liberação dessas atividades em terras indígenas, aumentou a tensão na Amazônia nos últimos anos, segundo Renan Sotto Mayor, defensor público da União.

“Esse tipo de posicionamento do chefe do Executivo reflete no território e gera tensão, porque as pessoas passam a acreditar na liberação [do garimpo em áreas de proteção]. Mas garimpo em terra indígena é crime ambiental e de usurpação”, adverte. O UOL relatou denúncia feita por funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio) e pelo indigenista Bruno Araújo Pereira de oito ataques a agentes do órgão na região concentrados em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro.

O servidor licenciado da Funai e o jornalista Dom Phillips, colaborador do jornal britânico The Guardian, desapareceram no Vale do Javari no dia 5.

O desaparecimento de Bruno e Dom é consequência da omissão do Estado brasileiro em uma região com povos indígenas em situação conflitante, com garimpo, narcotráfico, caça e pesca ilegal.”Renan Sotto Mayor, defensor público da União

O assunto remonta à luta de Bruno pela preservação dos povos indígenas mesmo após ele ser exonerado do cargo de coordenador-geral de Índios Isolados, na Funai, em outubro de 2019. Na época, o indigenista relacionou a sua saída ao combate contra o garimpo.

“Fizemos [no mês anterior] a maior destruição de garimpo do ano em região de índios isolados. A última operação de combate à mineração foi na reserva Yanomami. Cheguei à tarde e recebi minha exoneração”, disse, em entrevista ao site Brasil de Fato.

Ao longo de seu governo, Bolsonaro deu diversas declarações em apoio à flexibilização das regras sobre o garimpo. “Por mim eu abro o garimpo. Tem um projeto para abrir o garimpo em terra indígena. Um projeto que os índios querem”, afirmou o presidente em conversa com apoiadores em abril de 2020.

No fim de 2019, Bruno participou de reunião em Brasília com o defensor público Renan Sotto Mayor, em que citou o assassinato de Maxciel Pereira dos Santos, colaborador da Funai morto a tiros em setembro daquele ano, e os outros oito ataques a tiro contra agentes da Funai. A morte de Maxciel até hoje não foi esclarecida.

“Quando ele [Bruno] saiu após relatar tudo, olhei para o meu assessor e ele estava em estado de choque. Aí, ele disse: ‘Eu estava ouvindo o Bruno falar e fiquei imaginando que ele pode ser assassinado a qualquer momento por lutar pelo que acredita'”, lembrou o defensor.

Uol

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