
A crise financeira e o desemprego têm imposto barreiras severas ao sonho do diploma universitário no Brasil. Um novo levantamento realizado pela Serasa com estudantes de todo o país revela que pouco mais de um terço dos universitários matriculados na rede privada está com as mensalidades em atraso. O cenário é crítico: quase metade dos inadimplentes precisou trancar o curso por não conseguir arcar com os custos.
A história da estudante de psicologia Bruna Laurindo ilustra a estatística. Em 2025, ela foi obrigada a interromper os estudos após perder o emprego e enfrentar problemas de saúde. Com uma mensalidade de R$ 1.500, a conta tornou-se impagável diante da ausência de renda. Para Bruna, a decisão foi difícil, pois o desejo de seguir na carreira acadêmica esbarrou na prioridade de sobrevivência imediata.
O impacto no cotidiano e na saúde mental
O estudo da Serasa destaca que a inadimplência força escolhas extremas. Cerca de 66% dos estudantes com dívidas escolares relataram que deixaram de comprar itens essenciais para o cotidiano, incluindo alimentação e transporte, em uma tentativa desesperada de quitar os boletos da faculdade.
Além do prejuízo material, a falta de recursos afeta diretamente o desempenho acadêmico e a saúde mental dos alunos. A pressão psicológica de carregar dívidas e a incerteza sobre a continuidade dos estudos geram um ciclo de estresse que compromete o aprendizado em sala de aula. Segundo a pesquisa, o desemprego é o “vilão” principal, visto que a maioria dos universitários brasileiros trabalha para custear a própria formação. A falta de planejamento financeiro aparece como o segundo fator de maior peso.
Caminhos para a renegociação
Para quem enfrenta dificuldades, especialistas orientam que o diálogo com a instituição de ensino deve ser o primeiro passo. Segundo José Capobianco, especialista em educação financeira da Serasa, é fundamental que o aluno procure a faculdade para entender quais condições de negociação estão disponíveis.
“Muitas vezes, a faculdade repassa essa dívida para que empresas parceiras possam renegociar com descontos atrativos”, afirma José Capobianco. Ele ressalta ainda que a educação financeira é o ponto central para “mudar o jogo”, permitindo que o estudante consiga antecipar crises e gerir melhor o orçamento doméstico. A recomendação é buscar acordos que não comprometam a renda básica e, se necessário, utilizar plataformas de renegociação que ofereçam abatimentos em juros e multas.
BAND.COM




