Caso foi investigado pela Polícia Civil (FOTO ILISTRATIVA: Amanda Dias/BHAZ)
Um homem de 37 anos foi preso após estuprar a mãe, 74, e a irmã, 35, em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte. A idosa morreu, segundo a Polícia Civil, em decorrência de complicações fisiológicas e psicológicas causadas pelos crimes, cometidos em outubro. O filho adotivo ainda ameaçou a mãe e outros familiares ao tentar evitar que fosse denunciado.

A PCMG (Polícia Civil de Minas Gerais) tornou o caso público nesta quinta-feira (10), um dia após a prisão. Conforme a corporação, a idosa criou coragem para denunciar os crimes após flagrar o filho estuprando a própria irmã, que tem Down. Revoltada, a mulher de 74 anos, que já tinha sido vítima do autor, resolveu denunciar os estupros a uma outra filha.

O autor descobriu que a mãe havia relatado os crimes e passou a fazer ameaças aos familiares. A filha que foi avisada dos estupros, então, resolveu levar o caso às autoridades, que realizaram a investigação e prenderam o suspeito.

Os delegados Bruno Affonso e Alessandra Álvares, juntamente com a subinspetora Daniele Goulart, participaram dos trabalhos policiais que culminaram no mandado de prisão e na consequente prisão. O inquérito policial já foi concluído e remetido à Justiça com indiciamento do investigado por estupro qualificado pelo resultado morte e estupro de vulnerável, em relação à irmã.

O crime

Ainda de acordo com a PCMG, o crime do homem contra a irmã aconteceu no dia 12 de outubro, quando a idosa estava em casa com ela, e com outro filho, que tem esquizofrenia. Aproveitando-se da ausência de um dos familiares, o suspeito estuprou a irmã, de 35 anos.

“A mãe, ao interpelar diante da situação, foi levada para um quarto, onde estava o filho esquizofrênico. O suspeito mandou que o irmão, também adotivo, se cobrisse e praticou conjunção carnal com a senhora”, descreve a delegada Alessandra Álvares, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil em Sabará.

Crises de ansiedade e de pânico

A idosa, sentindo muitas dores pelo corpo, contou o que aconteceu para a outra filha, quatro dias depois. “A senhora começou a apresentar muita dificuldade fisiológica e psicológica. Ela teve crises de ansiedade e de pânico, além de rompantes de desmaio. Precisou ser internada nesse interim, até o resultado final, que foi a sua morte, cerca de um mês após a violência sexual”, informou a delegada.

O suspeito fugiu de Sabará e transitava entre as cidades de João Monlevade e Alvinópolis, na região Central do estado. “Ele ligava para a família e fazia ameaças. Dizia que não daria nada para ele, e que se fosse preso voltaria para fazer vingança. A mãe, quando escutava as ligações dele, ficava totalmente desequilibrada emocionalmente e com crises”, completou.

Histórico

A delegada conta que, durante a investigação, foi relatado que o suspeito foi adotado quando a mãe biológica dele, irmã da vítima, morreu. À época, ele tinha dois ou três anos de idade. O suspeito é trabalhador rural, casado e, desde que conheceu a companheira, estava morando no interior. “O casal veio passar uma temporada em Sabará. A mulher foi embora, ele ficou e praticou o crime”, finalizou Alessandra Álvares.

O delegado regional em Sabará, Bruno Affonso, ressaltou a gravidade da ocorrência. “Por mais que nós da Polícia Civil estejamos acostumados com tais tipos de crime, na minha carreira eu não havia visto tamanha gravidade. Agradeço a importância e rapidez da intervenção dos policiais civis nesse caso”, concluiu.

Crime sexual

O crime de estupro é previsto no art. 213, e consiste em “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Mesmo que não exista a conjunção carnal, o criminoso pode ser condenado a uma pena de reclusão de seis a 10 anos.

O art. 217A prevê o crime de estupro de vulnerável, configurado quando a vítima tem menos de 14 anos ou, “por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”. A pena varia de 8 a 15 anos.

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