Empresários do Pará se reuniram com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um dia depois de terem pedido ao Ibama para afrouxar as normas do órgão para exportação de madeira. A informação foi dada pela PF (Polícia Federal) ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a operação contra o ministro e vários outros agentes públicos e empresas na manhã desta quarta-feira (19).

O encontro, segundo a PF, ocorreu no final da manhã de 6 de fevereiro de 2020. No início da tarde, às 13h53, a chefia de gabinete do presidente do Ibama, Eduardo Bim, enviou a ele um ofício assinado por duas associações de empresários do setor. No documento, os madeireiros pediram que o instituto deixasse de cobrar autorização para exportação das cargas. O ofício dos empresários é datado do dia anterior, 5 de fevereiro.

Menos de três semanas depois, no dia 25, Bim atendeu ao pedido e assinou um despacho que dispensa os exportadores de obterem o aval. Essa norma agora está suspensa por ordem de Alexandre de Moraes, que atendeu a um pedido da PF.

As informações estão em um despacho de 63 páginas, ao qual o UOL teve acesso, em que o ministro autoriza buscas e apreensões contra Salles e mais 22 pessoas e empresas, além de outras medidas, como quebra de sigilo bancário. Bim e outros nove agentes públicos, tanto do Ibama quanto do ministério, foram afastados de seus cargos.

A investigação, segundo Moraes, coletou indícios de um “grave esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais”. Segundo a PF, ficou “evidente que o interesse privado de alguns poucos empresários”, que também são alvos da operação, “foi colocado à frente do interesse público”.

UOL busca esclarecimentos do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama. O texto será atualizado assim que houver resposta.

“Operações suspeitas”

No documento em que autorizou a operação desta quarta, o ministro Alexandre de Moraes a firma que a PF identificou “operações suspeitas” de um escritório de advocacia do qual Salles é sócio, com participação de 50%.

Segundo Moraes, a investigação aponta que esse escritório recebeu R$ 14,16 milhões num período de pouco mais de oito anos, entre janeiro de 2012 e junho de 2020. Para o ministro do Supremo, a descoberta “recomenda, por cautela, a necessidade de maiores aprofundamentos”.

Além de Salles e Bim, várias outras pessoas que ocupam ou ocupavam cargos de chefia no órgão ambiental também são alvos da operação. A PF informou que apura indícios de cirmes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando. Ao todo, os policiais cumprem 35 mandados de busca e apreensão no estados do Pará e de São Paulo, além do Distrito Federal.

A operação foi batizada de Akuanduba, nome de uma divindade indígena do Pará. As apurações, de acordo com a PF, começaram em janeiro deste ano “a partir de informações obtidas junto a autoridades estrangeiras”.

 

 

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