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O empenho direto do presidente Jair Bolsonaro na articulação que garantiu uma reserva no Orçamento de 2022 para dar aumento a policiais já começou a ter efeito em outras categorias de servidores, como os da Receita Federal e do Banco Central, que ameaçam debandada e manifestaram indignação.

Bolsonaro, no entanto, não poderá alegar surpresa com a reação. Isso porque, segundo fontes do governo, o ministro Paulo Guedes (Economia) alertou pessoalmente o presidente, em mais de uma ocasião, que o efeito cascata de revolta entre os servidores seria quase inevitável.

Conforme mostrou reportagem do jornal Folha de S. Paulo, enquanto lutou pelo reajuste dos policiais federais, Bolsonaro deixou de lado aproximadamente 1 milhão de servidores ativos, aposentados e pensionistas que estão com a remuneração congelada há cinco anos.

Na última segunda-feira, mesmo já estando em férias, Guedes recebeu o aviso da Receita e do BC de que se realmente o governo trabalhasse para conceder o aumento a apenas uma categoria haveria reação.

Segundo interlocutores do ministro, Guedes fez questão de reforçar isso ao presidente. Bolsonaro, porém, ignorou o alerta e fez pressão direta no relator do Orçamento de 2022, deputado Hugo Leal, que acabou cedendo e separando R$ 1,7 bilhão para os agentes de segurança.

Durante as negociações do Orçamento na reta final, Guedes submergiu e evitou contato com os parlamentares. A visão da equipe econômica era de que a decisão teria que ser meramente política e que haveria o risco de o ônus de um aumento segmentado caísse justamente no colo do ministro.

Sinais trocados

Nos bastidores, Guedes sempre se mostrou contrário ao aumento de servidores, mesmo sendo pressionado diretamente pelo presidente e, no caso dos policiais, pelo ministro da Justiça, Anderson Torres.

Chegou a dizer publicamente que aumento de servidores em ano eleitoral “não era oportuno” e que seria uma desonra com as gerações futuras.

Apesar disso, o ministro cedeu e fez a sua parte para que os policiais possam ter aumento no ano que vem, enviando ao Congresso um pedido de reserva de R$ 2,5 bilhões para que a categoria fosse atendida.

Inicialmente, o relator do Orçamento não incluiu essa previsão no texto, mas depois de pressionado diretamente pelo presidente acabou cedendo e o valor final decidido por parlamentares ficou nos R$ 1,7 bilhão.

Ao longo do ano, Guedes sofreu uma série de desgastes e perdeu força. Em 2022, a tendência é que seu discurso de defesa da agenda econômica e da responsabilidade fiscal fiquem apenas na teoria.

Isso porque Guedes parece ter entrado de vez para a leva de colegas da Esplanada que fazem exatamente o que Bolsonaro gosta: “um manda e outro obedece”.

 

Uol

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