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Nesta quarta-feira, 20, em cumprimento à ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram as operações Éris e Hygea para desarticular organização criminosa composta por membros da cúpula do governo do Estado do Tocantins suspeita de obstruir investigações de combate à corrupção e para desmantelar o esquema de pagamento de vantagens indevidas relacionadas ao Plano de Saúde dos Servidores do Estado do Tocantins (Plansaúde). De acordo com o STJ, a movimentação foi iniciada a partir de inquéritos que tramitam em segredo de Justiça na sua Corte Especial, que detectaram uma estrutura montada para a lavagem de ativos, bem como a integralização dos recursos públicos desviados ao patrimônio dos investigados. Segundo fontes ouvidas pela Jovem Pan, o governador do Estado, Mauro Carlesse (PSL), é alvo dessa operação e deve ser afastado da sua função.

As investigações foram iniciadas há quase dois anos e reuniram um conjunto de elementos que demonstram um complexo aparelhamento da estrutura estatal para manter vários esquemas criminosos comandados pelos principais investigados, que teriam movimentado dezenas de milhões de reais. Segundo o STJ, além da obtenção de novas provas, as operações realizadas nesta quarta-feira, 20, buscam interromper a continuidade das ações criminosas, identificar e recuperar ativos frutos dos desvios, resguardar a aplicação da lei penal, a segurança de testemunhas e a retomada das instituições públicas.

De acordo com a Polícia Federal, a operação Éris visa desarticular o braço da organização criminosa instalado na Secretaria de Segurança Pública do Estado do Tocantins suspeito de obstruir as investigações, utilizando-se de instrumentalização normativa, aparelhamento pessoal e poder normativo e disciplinar contra os policiais envolvidos no combate à corrupção. O grupo ainda é suspeito de vazar informações de investigações em andamento para os investigados. Já a operação Hygea tem o objetivo de desmantelar o esquema de pagamentos de vantagens indevidas relacionadas ao Plansaúde e a estrutura montada para a lavagem de dinheiro, assim como demonstrar a integralização dos recursos públicos desviados ao patrimônio dos investigados.

 

As investigações apontam que o governo estadual removeu indevidamente delegados responsáveis por inquéritos de combate à corrupção conforme as apurações avançavam e mencionavam expressamente membros da cúpula do Estado. A PF afirma que há ainda fortes evidências da produção coordenada de documentos falsos para manutenção dos interesses da organização criminosa. Os investigados vão responder pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e documental e embaraço às investigações. A Jovem Pan entrou em contato com a assessoria de Mauro Carlesse, que ainda não tem um posicionamento sobre o caso.

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