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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — Na esteira do terremoto que a pandemia causou nas rotinas de trabalho mundo afora, o Google vai dobrar a sua força de trabalho no setor de engenharia brasileiro — a intenção é sair dos atuais 200 funcionários na área para 400 até o final de 2023.

A expansão só é comparável à de 2015, quando a empresa anunciou que o número de colaboradores também dobraria, de 100 para 200.

Embora planos de crescimento para a região já estivessem no radar do gigante de tecnologia antes do coronavírus, o anúncio ocorre após um ano de investimentos sem precedentes em inovação no país.

Em 2021, foram injetados mais de US$ 9,4 bilhões em startups, mais que o dobro de 2021, ano que já tinha batido qualquer valor anterior. A chuva de liquidez reverberou no número de novos unicórnios, outro recorde: o Brasil ganhou 10 empresas de tecnologia com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão.

No meio do ano passado, o presidente-executivo da Alphabet, dona do Google, afirmou que a companhia teria um modelo híbrido de trabalho. Os funcionários trabalhariam do escritório, mas não na mesma frequência.

Com a decisão, veio a pergunta: “precisamos concentrar a nossa força de engenharia na Califórnia ou podemos expandi-la para outros lugares?”, lembra Berthier Ribeiro-Neto, diretor de engenharia do Google para a América Latina.

Ao que tudo indica, a resposta é a expansão. Além do crescimento no Brasil, a maioria das posições oferecidas será em regime híbrido — em média, três dias de trabalho no escritório e dois de casa. Em alguns casos, a vaga será completamente remota.

A pandemia, no entanto, não explica tudo, segundo Ribeiro-Neto.

“Toda vez que você pensa em internacionalização, particularmente no mundo da web, o Brasil é uma estrela de primeira grandeza”, afirma. “É natural que esteja expandindo no Brasil.”

O engenheiro se refere ao tempo que os brasileiros passam online, sempre no topo dos rankings mundiais, mas também aos profissionais do país. “A gente tem um banco de talentos aqui”, diz.

Ribeiro-Neto é conhecido como o funcionário número um do Google no Brasil. Após criar a ferramenta de buscas Akwan -ligeiro, em guarani- no final dos anos de 1990 na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), foi notado pela companhia.

“O tráfego explodiu”, lembra ele. A ferramenta foi comprada pelo gigante de buscas em 2005, quando já se descolara da instituição de ensino e era uma startup.

As mãos dos funcionários brasileiros do Google estão em muitos dos programas conhecidos por usuários do mundo. O recurso para acompanhar resultados de partidas de futebol, por exemplo, tem contribuição significativa dos engenheiros do Brasil, assim como o Family Link, que permite aos pais monitorar o uso do celular pelos filhos a distância.

O último é um dos setores que será fortalecido com a chegada da nova força de trabalho. Estão também na lista as áreas tradicionais, como a busca, e as que estão no centro do debate sobre internet atualmente: privacidade e segurança do usuário.

As grandes empresas de tecnologia estão enfrentando algumas batalhas nos últimos anos. O presidente americano Joe Biden tem perseguido uma agenda regulatória mais agressiva em relação a essas companhias desde que pisou na Casa Branca, no início de 2021. Já a União Europeia chegou a lançar um pacote tributário com foco nessas empresas — que foi suspenso no meio do ano passado.

Na expansão brasileira, a maior parte dos funcionários será alocada em Belo Horizonte, berço do Google no país: o escritório já foi ampliado pela expectativa do aumento. Há vagas também em São Paulo, além da possibilidade de trabalhar de qualquer local nas vagas remotas.

“O Brasil é um mercado e uma potência em relação a talentos”, afirma Daniel Borges, líder de recrutamento do Google para América Latina. Ele dá o caminho das pedras em algumas características que a companhia busca em seus funcionários: habilidade de solução de problemas, liderança e iniciativa, transparência e experiência relacionada à função.

Por parte do Google, há a tentativa, segundo Borges, de não buscar perfis muito específicos — o que, segundo ele, limita a capacidade da empresa de diversificar o seu quadro de funcionários.

“A gente se posiciona como uma empresa de ações afirmativas”, diz. Não há vagas destinadas a pessoas negras, que entram na seleção geral, mas há canais dedicados ao grupo, onde a pessoa pode se candidatar.

“O nosso negócio é múltiplo, para bilhões de usuários. Se seguimos um caminho de homogeneidade, os nossos resultados certamente vão se deteriorar a longo prazo”, diz Borges. “É uma vantagem competitiva e estratégica.”

Para o engenheiro Ribeiro-Neto, a expansão é “um reconhecimento do Google da relevância do Brasil para a empresa”.

E ele vai além: “em algum momento -não nos próximos dois anos — tenho em mente ter um centro de engenharia com 500 engenheiros”.

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