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Gilberto Gil comentou sobre a importância da democracia em entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura. O cantor de 79 anos analisou o impacto negativo do governo de Jair Bolsonaro (PL) para instituições culturais.

“Ficamos muito consternados. Não imaginávamos que essa fúria fosse prevalecer no caso das artes, do campo cultural. […] Foram instituições fortalecidas em governos anteriores. Processos e projetos de fomento foram totalmente abandonados”, afirmou Gil.

O artista reforçou que o voto é um importante instrumento para manter a possibilidade de renovações no país. “Boa parte do Brasil reivindica a substituição dos que estão aí”, opinou.

“Ficamos consternados, mas é o suficiente? É preciso batalhar, lutar e insistir no fortalecimento dos mecanismos democráticos. São importantes a liberdade de expressão, a eleição, o associativismo contemporâneo com tantos coletivos. É a sociedade brasileira tomando em suas mãos as suas responsabilidades”.

Na sequência da entrevista, Gilberto Gil também falou sobre a miscigenação e a igualdade cultural no Brasil após o fim da escravidão. “É uma abolição em processo, em evolução. Isso está em movimento e estamos avançando”.

Academia Brasileira de Letras Gilberto Gil assumiu recentemente a cadeira 20 na Academia Brasileira de Letras. O artista lembrou que outros cantores também poderiam ter ocupado este posto no passado. “Tom Jobim chegou a se inscrever e disputar uma vaga, mas ele desistiu em prol do Antônio Callado, que era muito amigo dele. Ele abriu mão da candidatura”, afirmou.

“Heitor Villa-Lobos também deveria estar lá, representando este lugar entre o erudito e o popular. Ari Barroso, Noel Rosa. Muitos poderiam estar lá representando a oralidade cantada brasileira”, opinou o artista. Assim como Fernanda Montenegro, Gil passou a receber o salário e os cachês semanais — regulados conforme a presença em compromissos da Academia. Segundo apuração do UOL TAB, esse valor pode ultrapassar R$ 10 mil por mês.

“Resisti durante muito tempo, mas ao final aceitei e eles me aceitaram. Agora compartilham comigo a responsabilidade de insistir na popularização do acadêmico”, concluiu.

 

UOL

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