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Ao mesmo tempo que lamentam nas redes sociais a morte do escritor Olavo de Carvalho, seus principais discípulos já se posicionam para disputar o espólio ideológico deixado pelo guru bolsonarista.

A filha primogênita, Heloísa de Carvalho, e autora do livro “Meu pai, o guru do presidente: a face ainda oculta de Olavo de Carvalho”, avalia que o primeiro movimento já foi feito. Apesar de rompida com o pai, Heloísa  acompanha o universo olavista de perto.

Nas redes sociais, Silvio Grimaldo, identificado pelo guru nas redes sociais como seu gerente administrativo, divulgou o próximo livro de Olavo no Instagram poucas horas depois da confirmação de sua morte.

“Hoje chegaram na Vide (a editora do guru), coincidentemente, as provas do próximo livro do Olavo. Ele deixou outros preparados. Olavo ainda tem muito a ensinar”, escreveu, publicando em sequência trechos do livro a ser lançado.

Grimaldo já foi assessor especial no Ministério da Educação, na gestão de Ricardo Vélez, e foi demitido em uma espécie de expurgo de olavistas na pasta.

Ao longo do dia, Silvio reproduziu campanha de outro olavista, Italo Marsili, em prol da canonização de Olavo de Carvalho pela Igreja Católica. A campanha foi lançada por Marsili, que também tem um curso online e mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram, em seus stories.

A ideia de recolher relatos de conversões inspiradas pelos cursos de Olavo foi muito replicada em grupos bolsonaristas, e ajudou a projetar o nome de Marsili nesse público. Em 2020, ele trabalhou nos bastidores e tentou se cacifar usando as redes sociais para substituir Nelson Teich no Ministério da Saúde.

Heloísa acredita que a partir de agora os olavistas proeminentes fatalmente entrarão em rota de colisão em busca de sobrevivência política e mesmo financeira.

Ela cita discípulos como Bernardo Küster, que tem um canal no Youtube, Paulo Briguet, que é editor do site Brasil sem Medo, o cineasta Mauro Ventura, assistente de direção do documentário “Jardim das Aflições”, sobre Olavo, e o irmão, Luiz de Carvalho.

Para a advogada, Olavo construiu um movimento que orbitava em torno dele, controlava tudo de perto e não dava espaço a questionamentos, por isso os rachas internos não vinham à tona.

Ela lembra que as divisões mais evidentes surgiram com Olavo já doente, quando a briga entre o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub veio a público. Weintraub pleiteia ser candidato ao governo de São Paulo, vaga que deverá disputar com o titular da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

“Se ele tivesse acompanhado teria mandado todos eles calarem a boca. Para o Olavo só existe a palavra dele, não teria essa briga pública”, resume.

O próprio Grimaldo já foi alvo de ataques recentes de outros olavistas no final de dezembro, quando Olavo já tinha fugido de uma clínica no Brasil e voltado para os Estados Unidos. Ele foi acusado de se apropriar das redes sociais do guru para fazer críticas ao governo Bolsonaro.

Na ocasião, Olavo escreveu que só votaria pela reeleição do presidente da República “por falta de opção”, o que pôs a militância da direita em polvorosa.

Houve quem entendesse nas palavras do escritor um apelo por uma guinada conservadora frente o avanço do Centrão no governo e a liderança de Lula nas pesquisas.

Outros consideraram uma traição – incluindo o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. Além de responder a Olavo dizendo que Bolsonaro não precisava dele “para nada”, Camargo insinuou que Grimaldo usava as redes do professor indevidamente e o chamou de “imbecil”.

Em resposta, o perfil oficial de Olavo no Facebook postou uma mensagem atribuída ao guru em que ele defende Grimaldo. “O Sílvio é meu gerente administrativo e nunca, nunca teve a ousadia de querer meter na minha cabeça alguma ideia política, mesmo porque não quer perder o emprego”, diz o texto.

Na mesma época, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) também atacou o assessor de Olavo em seu canal no Youtube, depois que ele afirmou em um evento conservador que o governo não se esforçou pela aprovação do voto impresso na Câmara.

Heloísa afirma que, até hoje, o bolsonarismo se manteve indissociável dos ideais do olavismo. “Se ele não tivesse morrido agora, não pularia fora da canoa jamais. Olavo sabia que o bolsonarismo era o último marco da sua trajetória”, sacramenta.

Com a morte do guru, porém, já não se sabe se as correntes funcionarão de forma tão simbiótica. “Agora muitos podres (do olavismo) surgirão. É só aguardar. Daqui a pouco as baixarias se tornarão públicas”.

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