Em uma entrevista reveladora para o Financial Times no domingo (10), Nicolas Chaillan, ex-chefe de tecnologia do Pentágono, disse que renunciou em protesto contra o ritmo lento da transformação tecnológica nos EUA – e, em uma reviravolta provocativa, opinou que a China está dominando o segmento, em especial no desenvolvimento inteligência artificial avançada.

Nicolas Chaillan, ex-chefe de tecnologia do Pentágono, disse que renunciou em protesto contra o ritmo lento da transformação tecnológica nos EUA. Imagem: Advanced Technology Academic Research Center – Twitter

Segundo Chaillan, há “boas razões para estar com raiva” do que ele chama de fracasso dos EUA em responder à ameaça cibernética da China, mesmo temendo que o futuro de seus filhos esteja em risco.

“Não temos chance de lutar contra a China dentro dos próximos 15 a 20 anos”, disse ele, que deixou o Departamento de Defesa no mês passado. As declarações fazem parte da primeira entrevista de Chaillan desde que deixou o cargo. “No momento, já é um negócio fechado; já acabou, na minha opinião”.

China supera EUA em IA, aprendizado de máquina e capacidade de ataque, diz Nicolas Chaillan

Não são poucas as reclamações de Chaillan. Ele classificou a cibersegurança em alguns setores do governo dos EUA como “nível de jardim de infância”, lamentou a falta de cooperação entre os militares americanos e a área de tecnologia e disse que havia perdido seu tempo “consertando laptops e itens básicos da nuvem”.

Acima de tudo, no entanto, ele parece furioso com o fato de a China estar avançando nos domínios da inteligência artificial, aprendizado de máquina e capacidade de ataque cibernético.

Em uma dura crítica aos gigantes da tecnologia dos EUA, Chaillan reclamou que o Google, por exemplo, hesita em mergulhar em pesquisas de IA particularmente controversas. Por outro lado, empresas chinesas, segundo ele, são obrigadas a trabalhar com o governo e estão fazendo um “investimento maciço” em IA “sem se importar com a ética”.

“Se é necessária uma guerra ou não, é anedótico”, disse Chaillan, que revelou ao Financial Times que planeja testemunhar no Congresso nas próximas semanas.

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