De original na sinistrose econômica, só o presidente que tumultua e não trabalha

Deterioraram-se rapidamente, nos últimos dias, as expectativas para a evolução da economia no que resta do atual governo. Se neste ano está em curso uma recuperação precária e desigual de perdas provocadas pela pandemia, para 2022 surgem mais projeções de um desempenho abaixo do medíocre.

Sinais da piora dos humores se notam nos indicadores do mercado financeiro, de resposta sempre mais rápida. A cotação do dólar, que chegou a cair abaixo dos R$ 5 em junho, acumula alta de 8,5% desde então, segundo as médias diárias apuradas pelo Banco Central.

O índice da Bolsa de Valores, que passava dos 130 mil pontos há menos de dois meses, fechou em 118 mil nesta sexta-feira (20).

É espantoso que dois dos principais motivos para a onda de pessimismo sejam os mesmos que levaram ao colapso econômico de meados da década passada —a escalada da inflação e o descrédito na gestão das contas do governo.

Com a persistente aceleração dos preços ao consumidor, que tiveram variação de 8,99% em 12 meses, calcula-se que o BC será obrigado a prosseguir na elevação dos juros e a manter uma política monetária apertada no próximo ano, com uma taxa básica já projetada em 7,5% anuais, patamar que não se observa desde 2017.

Já o temor de uma nova crise orçamentária foi acentuado pelos movimentos desatinados do governo em busca da reeleição de Jair Bolsonaro, em especial com a proposta indecorosa de jogar para administrações futuras o pagamento de dívidas determinadas por sentenças judiciais.

A gestão da política econômica, a cargo do ministro Paulo Guedes, já dera fartas mostras de inoperância gerencial e desarticulação política, deixando que se aviltasse a agenda de reformas e privatizações. Agora coloca em risco a credibilidade de seu compromisso mais básico com o reequilíbrio fiscal.

Se há algo de tristemente original neste momento de sinistrose é um presidente da República a tumultuar o ambiente político e institucional, misturando seus pendores golpistas a sua aversão pelo trabalho de governar o país.

As mentiras, as bravatas, os conflitos estéreis e, sobretudo, a desídia de Bolsonaro já deixaram um trágico legado de mortes desnecessárias na pandemia, mas suas consequências nas políticas públicas —notadamente em educação e ambiente— ainda se farão sentir por muitos anos.

Na economia, o preço do desgoverno se paga de imediato, na forma de desemprego, informalidade, pobreza e inflação.

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