No primeiro mês à frente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) já colocou em xeque sua fama de cumpridor de acordos e sofreu derrota ao não conseguir votar a jato proposta que altera regras sobre a imunidade parlamentar. Enquanto isso, no comando do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tem fugido de polêmicas.

Lira se elegeu dizendo que ouviria todos os deputados, independentemente do espectro político. No entanto, não faltam reclamações de que não está permitindo o espaço necessário a discussões ou seguindo acordos por parte de colegas.

primeiro ato de Lira como presidente da Câmara foi indeferir o registro do bloco de partidos que apoiavam seu principal adversário na disputa, Baleia Rossi (MDB-SP). Ele alegou que o PT perdeu prazo para registro no grupo. O partido justifica ter ocorrido problema técnico.

Com isso, Lira buscou montar uma Mesa Diretora somente com aliados. Após ameaças de judicialização e obstruções a votações, recuou e fechou acordo para contemplar mais partidos.

Em plenário, o novo chefe da Câmara passou com tranquilidade pelo primeiro desafio: a aprovação da autonomia do Banco Central. No entanto, acumulou mais atos polêmicos ao longo das últimas semanas.

Apesar de apelos de deputados federais, tomou o espaço do comitê de imprensa da Câmara para, no local, instalar o gabinete da Presidência da Casa. Questionamentos a ele e o acompanhamento das autoridades que o visitam serão dificultados.

Outra atitude que deixou parte da Câmara desconfortável foi de não atuar contra a indicação de Bia Kicis (PSL-DF) ao comando da Comissão de Constituição e Justiça. Bolsonarista, a parlamentar é tida como uma deputada de difícil diálogo, além de ser investigada pelo STF no inquérito que apura a divulgação de fake news.

A principal decisão que causou desgaste a Lira, porém, foi de insistir na votação relâmpago da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da imunidade, que dificulta a prisão de deputados, após a prisão de Daniel Silveira (PSL-RJ). Antes, já tinha causado mal-estar ao trocar de repente o relator do parecer da medida cautelar contra Silveira.

Lira diz que a PEC tinha apoio da maioria dos partidos, mas, após repercussão negativa entre a opinião pública e o Judiciário, várias siglas voltaram atrás. Diversos deputados também reclamaram que Lira não respeitou espaços para discussões.

Ele se viu obrigado a recuar e enviar o texto para uma comissão especial, como é de praxe. A PEC não tem data para voltar à pauta do plenário.

Kim Kataguiri (DEM-SP) é um dos principais críticos à gestão de Lira e considera que ele descumpriu as promessas de campanha de seguir acordos e ouvir os deputados individualmente.

Por enquanto, é uma gestão marcada por tratorar completamente os procedimentos e o regimento”, falou. “E é muito cedo para ele ter esse desgaste”Kim Kataguiri, deputado pelo DEM-SP

Já Fábio Trad (PSD-MS) acredita que, com exceção da PEC da imunidade “que causou certa turbulência”, a condução de Lira é positiva. Ele disse que o presidente pautou projetos ligados à pandemia, se reuniu com governadores e se mostra disposto a votar as reformas tributária e administrativa.

No Senado, a fuga de polêmicas

Por outro lado, à frente do Senado, Rodrigo Pacheco tem fugido das controvérsias. Ele evitou, por exemplo, dar posicionamentos assertivos sobre a PEC da imunidade. A ordem é se focar em propostas para tocar a compra de vacinas, agilizar a vacinação e viabilizar o auxílio emergencial.

Segundo senadores ouvidos pelo UOL, seu modo de trabalhar é muito diferente do de Lira. “Se Lira é muito disposto a um certo protagonismo, não é o caso do Rodrigo [Pacheco]. Ele é mineiro. Vai levar tudo com essa tendência de querer não se comprometer”, disse, um líder no Senado, sob reserva.

Outro ponto levantado por senadores é que, de certa forma, seu modo de agir permanece uma incógnita. Isso porque está em seu primeiro mandato como senador e não tem experiência como prefeito ou governador.

Senadores que defendem a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar ações do governo federal durante a pandemia consideram que o tema é o primeiro grande teste de Pacheco. Até o momento, ele tem se colocado contra o funcionamento do colegiado.

 

 

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