crise hídrica que deve atingir o Brasil nos próximos meses já é motivo de preocupação para nove em cada dez empresários entrevistados pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Com a baixa precipitação, os reservatórios das hidrelétricas, que representam cerca de 60% do parque gerador do país, operam em baixo nível de armazenamento. Entre os entrevistados, 83% se preocupam com o aumento do custo da energia elétrica como consequência da crise. Outras questões que preocupam o empresariado são o racionamento (63%) e a instabilidade ou interrupção no fornecimento de energia (61%). Além da energia elétrica, o fornecimento e o custo da água também são citados pelos empresários como fonte de preocupação. Entre os que se dizem preocupados, 24% mencionaram a possibilidade de racionamento de água, 30% mencionaram o aumento no custo e 23%, a instabilidade ou interrupção no fornecimento do recurso.

Mais da metade (55%) dos empresários acredita que provavelmente ocorrerá racionamento de energia e outros 7% acreditam que o racionamento ocorrerá com certeza. Em decorrência da crise hídrica, quase a totalidade dos empresários consultados (98%) esperam um aumento do custo de energia. Entre eles, 14% que acreditam que o preço aumentará pouco, 37% que aumentará moderadamente e 47% que aumentará muito. Apenas 2% não souberam responder. “Há uma preocupação clara com o risco de racionamento e do aumento de custo da energia. Isso pode ter impacto na retomada da produção do segmento industrial, em um momento em que a indústria começa a recuperar a sua produtividade”, analisa o especialista em energia da CNI Roberto Wagner Pereira.

Gráfico da CNI sobre racionamento de água

Em média, 52% dos empresários entrevistados acreditam que a crise hídrica reduzirá a competitividade de suas empresas. Desses, 39% acreditam que isso ocorrerá provavelmente e 13% que isso ocorrerá com certeza. Segundo a CNI, quanto maior a participação do custo com energia no custo total da empresa, maior é o percentual que acredita que a crise hídrica irá, provavelmente ou certamente, reduzir a competitividade. Entre as empresas cujo custo de energia representa até 9% do custo total, 46% acreditam que a crise possa prejudicar a competitividade. Para aqueles em que o custo fica entre 10% e 19%, 60% consideram que a crise será prejudicial. Entre as empresas em que o custo excede 20%, 68% acredita que haverá perda de competitividade.

Apesar da preocupação, 65% afirmam ser difícil ou muito difícil mudar o horário de operação das suas empresas para reduzir o consumo de energia no horário de pico. Como alternativa, 34% dos entrevistados afirmam que suas empresas adotarão ou intensificarão investimentos e ações em eficiência energética e 26% em autogeração de energia ou em geração distribuída. Entre os consultados, 22% afirmam que pretendem mudar o horário de operação das suas empresas para reduzir a atividade no horário de pico do consumo de energia. Outros 18% afirmam que adotarão ou intensificarão investimentos e ações em tratamento e reuso da águaA consulta empresarial realizada pela CNI ouviu 572 empresas, sendo 145 de pequeno porte, 200 médias e 227 grandes. O campo foi realizado entre os dias 25 de junho e 2 de julho. #Cotidiano

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