Após dizer que o vice-presidente Hamilton Mourão “atrapalha um pouco”, o presidente Jair Bolsonaro recuou da crítica nesta segunda-feira e disse que Mourão “não tem atrapalhado em absolutamente nada”. Bolsonaro também defende sua aliança com o Centrão, dizendo que é o que tem “para governar”, e não garantiu se será candidato caso a proposta de voto impresso não seja aprovado.

Na semana passada, Bolsonaro além do vice a um cunhado, que não se pode “mandar embora”. Agora, em entrevista à rádio ABC, do Rio Grande do Sul, o presidente afirmou que não tem “maior problema” com Mourão:

– Converso com ele esporadicamente. Ele tem uma vida bastante, quase que independente. Não temos maior problema com ele – disse, relembrando a comparação do cunhado e relacionado: – Mas o vice aqui não tem atrapalhado em absolutamente nada. Não discutimos ainda em profundidade qual o futuro político dele. É uma pessoa que tem feito seu papel aqui.

Bolsonaro ressaltou que o vice “às vezes atropela o governo” com suas declarações, mas disse que isso “faz parte das regras do jogo”:

– De vez em quando ele fala alguma coisa que vai de encontro aos interesses do governo, mas faz parte das regras do jogo. Não podemos ter um vice também que se esconda de tudo. Ele dá sua opinião, às vezes atropela o governo, mas a gente vai convivendo sem maiores problemas.

Na entrevista mesma, o presidente defende sua aliança com o bloco de partidos conhecido como Centrão, que atingiu o auge com a nomeação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil. Bolsonaro desafiou as pessoas a governarem sem essa aproximação:

– Pessoal fala “Centrão” … Olha, senta na minha cadeira aqui e governa sem o voto de mais da metade dos parlamentares que estão aí (do) aqui Centrão. Vem aqui e governo sem eles. Aprove PEC, aprove projetos de lei – afirmou. – É fácil, de forma pejorativa, acusar o Centrão. Outra, eu sempre fui do Centrão. Eu sempre fui do PP. Raramente eu estive fora de um partido que estava dessa sigla. Agora, não podemos achar simples: “ah, o Centrão está fora simplesmente do destino do Brasil”. É o que eu tenho para governar. E tenho me dado muito bem com essas pessoas.

Bolsonaro ainda foi questionado sobre será candidato à reeleição caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da impressão de um comprovante do voto não seja aprovado, mas evitou responder. O presidente criticou o fato de que, caso tenha questionamentos à apuração, teria que recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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