Eles foram na contramão do total de gastos de parlamentares com combustíveis, que caiu 38% entre 2019 e 2020
Apesar de a Câmara dos Deputados estabelecer sessões remotas a partir de março de 2020 por causa da pandemia de Covid-19, 65 parlamentares aumentaram seus gastos com combustíveis e lubrificantes entre o ano passado e 2019. Eles estão na contramão do consumo total de deputados com essa rubrica, que passou de R$ 16,5 milhões para R$ 10,3 milhões no mesmo período, uma queda de 37,9%.
Com o sistema de deliberação remota, os parlamentares podem acompanhar as sessões plenárias de suas respectivas residências, sem a necessidade de deslocamento. Além das medidas adotadas pela Câmara, todos os governos estaduais decretaram regras de quarentena, restringindo a circulação das pessoas, sobretudo, nos primeiros meses do ano.

 

O levantamento foi realizado pelo Metrópoles com base nos dados do portal de transparência da casa. Para definir quem teve a maior alta, foram excluídos parlamentares que se licenciaram do mandato por um período significativo em 2019. O valor gasto ainda pode aumentar, visto que os deputados têm até 90 dias para apresentar as notas para reembolso, de acordo com o Regimento Interno da Câmara.
Maiores crescimentos
Apesar da diminuição do montante gasto em relação a 2019, quando não havia pandemia, alguns parlamentares aumentaram o consumo no ano passado. A maior alta foi do deputado Severino Pessoa (Republicanos-AL), que consumiu R$ 61.028,56, em 2020, e R$ 24.214,92, em 2019. Isso representa acréscimo de 152%.
Outro parlamentar dobrou os valores nesta rubrica entre 2019 e 2020. A deputada Aline Sleutjes (PSL-PR) despendeu R$ 46.873,95 com gasolina em 2020, um crescimento de 115,6% na comparação com os R$ 21.736,31 gastos em 2019.
O terceiro lugar ficou com o deputado Lucas Gonzales (Novo-MG), cujo consumo passou de R$ 10.729,82 para R$ 19.001,38, o que representa um aumento de 77%.
Veja a lista de todos os deputados com acréscimo nos gastos:
Campeões de gasto
Considerando apenas as despesas com esse item em 2020, o deputado Claudio Cajado (PP-BA) é o campeão. O deputado do PP usou R$ 66.550,04, seguido por Roman (Patriota-PR), com R$ 66.017,90, e por Professor Alcides (PP-GO), com R$ 65.570,05.
Cajado apresentou gastos de R$ 6 mil mensais – valor limite nesse item – em 10 dos 12 meses, as exceções foram outubro, com R$ 5.930, e dezembro, com R$ 620,04, o que ainda pode mudar. Já Roman tem consumo mensal entre R$ 3.792,09 e R$ 6 mil.
Alcides, por sua vez, apresentou 11 notas com valor um pouco acima de R$ 6 mil – com variações de R$ 2 ou alguns centavos –, mas ele foi reembolsado em R$ 6 mil, ou pouco menos, por se tratar do limite. Não consta gasto dessa rubrica em dezembro.
A reportagem do Metrópoles tentou contato com os gabinetes de Severino Pessoa, Aline Sleutjes, Lucas Gonzalez, Claudio Cajado, Roman, Professor Alcides, mas apenas Gonzalez se manifestou até a publicação da matéria. A assessoria de Aline disse que não se manifestaria.
Gonzalez avalia que, em 2019, com as atividades presenciais na Câmara, “o gasto com gasolina era menos impactante”. “Em 2020, como a Câmara operou, majoritariamente, em formato remoto, a minha opção foi por oferecer, diretamente, suporte às cidades do interior [42 cidades, incluindo norte de Minas, sul de Minas, região central de Minas, sudoeste, Triângulo Mineiro, Vale do Mucuri, Vale do Aço e Vale do Rio Doce], atendendo pessoalmente as demandas dos mais necessitados, além de cumprir uma intensa agenda de reuniões empresariais, com foco em alcançar investimentos e empregabilidade para os mineiros, em um período sensivelmente desafiador para todos”, disse, em nota.
Cota parlamentar
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), instituída pelo Ato da Mesa n° 43/09, pode ser usada por parlamentares para custear gastos exclusivamente vinculados ao exercício do mandato, com passagens aéreas, telefonia, manutenção de escritórios parlamentares, alimentação, hospedagem, locação de veículos, segurança, divulgação da atividade parlamentar e combustíveis.
Os valores vão de R$ 30.788,66 mensais para os deputados da bancada do Distrito Federal a R$ 44.632,46 ao mês para a do Acre.

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