Uma das maiores cascatas contadas sobre o governo Jair Bolsonaro é a de que ele conta com uma área técnica que se contrapõe a uma área de extrema direita. Ministros como Marcelo Queiroga, da Saúde, e Paulo Guedes, da Economia, são a prova de que não há dois grupos, mas um só. O que muda é a quantidade de purpurina que jogam em cima de um deles para disfarçar.

Queiroga, aliás, tem se esforçado para se livrar dessa camada de brilho. Nesta sexta (8), afirmou ser “absolutamente contrário” às leis que obrigam o uso de máscaras. E, fez uma comparação bem cara de pau, questionando se valeria a pena uma lei para obrigar as pessoas a usarem camisinha a fim de evitar doenças sexualmente transmissíveis.

 

Para um ministro que cuida da saúde pública é deprimente que ele pense que obrigar o uso de máscaras no cinema, um espaço público, é tão difícil quanto proibir duas pessoas de transarem sem camisinha em um quarto de motel.

Isso vai se somar ao seu currículo, já extenso: suspendeu a vacinação de adolescentes após redes bolsonaristas bombarem mentiras sobre mortes de jovens; bloqueou a aprovação de novo protocolo para tratamento de covid-19 que orienta a não utilização de cloroquina, ivermectina e azitromicina; surtou, fazendo sinais obscenos, a manifestantes em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU; deu corda para o negacionismo de Bolsonaro, não raro, justificando-o.

Ao que tudo indica, o ministro da Saúde abriu mão da ciência em nome da manutenção do cargo que ocupa, de seu gabinete com vista para a Esplanada dos Ministérios, de seu carro oficial, de não precisar girar uma maçaneta sequer e ter seu café sempre quentinho.

Tanto Queiroga quanto Paulo “Ilhas Virgens” Guedes, o guardião da Disney sem Domésticas e das Universidades sem Filhos de Porteiros, muito provavelmente não seriam ministros em um governo menos disfuncional, seja de direita ou de esquerda. Para ambos, essa é, portanto, a chance de uma vida.

Não à toa, eles têm feito que de tudo para mostrar a Bolsonaro que são ideologicamente alinhados a ele. Manter um conta em um paraíso fiscal enquanto ministro da Economia não é a mesma coisa que fazer rachadinha com salário de servidor público, mas é também uma sacanagem.

O problema é que, enquanto isso, o Brasil atingiu 600 mil mortes por covid-19. E a inflação da cesta básica ultrapassou 38% em Brasília e 19% em São Paulo, nos últimos 12 meses. Resultados de um governo cujo objetivo do líder e de seus assessores da Saúde e da Economia é manter-se onde estão.

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