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Profissionais demitidos nesta segunda (29) se somam a muitos outros colegas que deixaram a emissora esse ano

A TV Globo se despediu nessa segunda-feira (29) de mais dois de seus funcionários. Vale lembrar que não é de hoje que emissora vem repaginando seu quadros de colaboradores. Apenas neste ano, mais de dez pessoas saíram do canal.

Aliás, esse mês de novembro foi marcado por muitas demissões. Nomes artísticos como Cissa Guimarães, Camila Queiroz e Bruno Montaleone, ganharam destaque nas redes sociais por ter deixado a Globo. No entanto, a saída de funcionários da emissora não ficou restrita apenas ao seu setor de entretenimento. O departamento de jornalismo também tem sentido a grande rotatividades que o canal anda passando no último ano

Na última sexta (26), a jornalista Isabela Assumpção entrou para a lista de demitidos. A profissional deixou a casa após 41 anos. Nos últimos tempos, ela atuava no Globo Repórter com matérias especiais. Clique aqui e saiba mais sobre a demissão de Isabela Assumpção.

A TV Globo não para de surpreender seus espectadores – e também profissionais – com as demissões repentinas. Nessa segunda (29), mais dois jornalistas com um tempo de casa foram anunciados que não fazem mais parte do quadro de funcionários. São eles: Francisco José e Renato Machado.

O que disse a Globo sobre a demissão de Renato Machado e Francisco José

Considerado um dos poderosos chefões do canal, o diretor de jornalismo Ali Kamel se pronunciou sobre a demissão de Francisco José e Renato Machado. Vale lembrar que ambos os jornalistas tinham mais de quatro décadas atuando na TV Globo.

Leia os e-mails de despedida de Ali Kamel para Francisco José e Renato Machado na íntegra:

Chico José, cearense de Crato, começou a trabalhar como jornalista em 1966 no Jornal do Commercio do Recife, antes mesmo de a profissão ser regulamentada, como ele gosta de frisar. Pelo jornal, Chico cobriu duas Copas do Mundo e chamou atenção de Armando Nogueira, que o convidou para ser repórter e apresentador do Globo Esporte.

O programa começaria a ser exibido na capital pernambucana. Depois de estrear em frente às câmeras, em 1975, achou que a TV não era para ele

Há 46 anos, vem fazendo uma carreira brilhante na Globo. Ao longo de sua trajetória, pelo Esporte, Chico participou de quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas. No Jornalismo, coleciona histórias inesquecíveis: foi o primeiro repórter do Nordeste a aparecer no JN, mergulhou ao vivo na Baía de Guanabara durante a Rio-92 (um feito inédito e antológico), cobriu a Guerra das Malvinas (quando chegou a ser expulso pelo militares), acompanhou dezenas de apresentações do Galo da Madrugada, mostrou ao Brasil a importância das festas de São João, acompanhou o Papa João Paulo II na Coreia, revelou ao país as primeiras imagens do naufrágio do Bateau Mouche, e alcançou a impressionante marca de 103 edições do Globo Repórter… Sim, não é erro de digitação: são 103 programas com reportagens dele, um feito. Esses são apenas alguns dos muitos momentos em que Chico deixou sua marca.

Aliás, foi no Globo Repórter que ele mostrou seu lado aventureiro. Pulou de bungee jump, mergulhou com tubarões, seguiu onças na Amazônia, mostrou a vida selvagem na África do Sul e os tesouros do Caribe, encarou elefantes marinhos na Patagônia e muito mais. Foi ao Polo Norte e ao Polo Sul. Em 2013, Chico foi finalista do Emmy com um Globo Repórter sobre a rotina e os rituais dos índios Enawenê-Nawê, na Amazônia.

Mas nada representa mais Chico José do que sua identificação com o Nordeste. É um apaixonado. Durante 10 anos, fez coberturas da seca e da miséria que assolavam o sertão nordestino. Em 2008, percorreu seis capitais para mostrar, ao vivo, o São João no Jornal Nacional. Por 15 anos, ao lado de Beatriz Castro, apresentou e fez reportagens no programa local de meio ambiente Nordeste Viver e Preservar.

Recebeu vários prêmios, inúmeras homenagens e títulos – entre eles o de Cidadão Pernambucano. Convidado para ser correspondente internacional, nunca quis. Costuma dizer que não troca o Nordeste por nenhum outro lugar do mundo. Mas tem no currículo reportagens feitas em todos os continentes. Tem um jeito único de fazer reportagem: envolvente, cativante, leva o espectador para onde ele está. Com palavras precisas, com cenas que marcam.

Eu o conheci pessoalmente ao chegar à Globo, numa visita que fiz ao Recife. Depois dos afazeres na redação, aceitei o convite dele para almoçar. Andando pelas ruas, pude comprovar o quanto é querido, tratado como família pelos pernambucanos, carinho puro, que ele retribui. Uma conversa com ele nunca é curta e é sempre prazerosa. Num de nossos encontros mais recentes, tínhamos uma agenda breve, mas quando nos despedimos já havia se passado uma hora.

Conversamos sobre a profissão, o fazer jornalístico, a vida. Chico é um baú de boas histórias e um observador agudo. Jo Mazarollo me disse dele: “Adora contar histórias. As histórias das reportagens e as histórias que surgem enquanto está fazendo as reportagens”. É verdade.

 

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