A convocação de governadores dividiu senadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Mesmo depois de uma reunião secreta para tentar um acordo, integrantes da cúpula da CPI – presidente, vice e relator – divergiram sobre a posição adotada.

Nesta quarta-feira (26), a comissão aprovou a convocação de nove governadores — Wilson Lima, do Amazonas; Ibaneis Rocha, do Distrito Federal; Waldez Góes, do Amapá; Helder Barbalho, do Pará; Marcos Rocha, de Rondônia; Antônio Denarium, de Roraima; Carlos Moisés, de Santa Catarina; Mauro Carlesse, de Tocantins; e Wellington Dias, do Piauí.

Também foram convocados um ex-governador (Wilson Witzel, do Rio de Janeiro) e uma vice-governadora (Daniela Reinehr, de Santa Catarina). O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o antecessor, Eduardo Pazuello, foram convocados novamente – os dois já prestaram depoimento à CPI.

CPI da Covid aprova reconvocação de Marcelo Queiroga e de Eduardo Pazuellohttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

A comissão foi instalada em 27 de abril. O objetivo é apurar ações e omissões do governo federal durante o enfrentamento à pandemia e também eventuais desvios de verbas federais enviadas aos estados.

Quase um mês após o início dos trabalhos da comissão, essa é a primeira ação cujo alvos são os representantes de estados.

A aprovação da convocação dos governadores foi precedida de uma reunião “secreta” convocada pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), logo no início dos trabalhos. Senadores se reuniram, a portas fechadas, por uma hora e meia.

Logo após a aprovação da convocação de dois governadores, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) pediu para que ficasse registrado seu voto contrário.

O senador é pai do governador de Alagoas, Renan Filho. Não havia, no entanto, nenhum pedido referente ao governador alagoano.

“Eu queria novamente colocar: eu não fiz acordo para convocar governador, muito menos prefeito, porque não é da competência do Senado Federal fazê-lo, unicamente por isso”, afirmou o relator.

O voto contrário do relator foi endossado pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e pelos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Humberto Costa (PT-PE).

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que havia um acordo para a aprovação.

“Nós fizemos um acordo. Isso é falta de respeito comigo, que fiz um acordo com vocês, com Vossa Excelência, senador Humberto. Agora, tem que cumprir o acordo aqui, por favor”, disse Aziz.

Aziz ressaltou ainda ter uma “relação especial” e um “respeito muito grande” pelo senador Jader Barbalho (MDB-PA), que integra a comissão como suplente. Na manhã desta quarta, a comissão aprovou a convocação do filho de Barbalho, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

“Não é nenhuma alegria para mim fazer isso com o filho dele aqui. Mas, agora, não dá para a gente fazer uma coisa ali, chegar aqui e o senador dizer: ‘Não, o meu também é contra”. Não façam isso comigo’, afirmou o presidente da CPI.

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