Um estudo realizado na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) detectou uma mudança geracional nos hábitos de consumo e comportamento de beneficiários do Bolsa Família do município de Catingueira, no Sertão da Paraíba.

Segundo a pesquisa, a Geração Bolsa Família pode ser caracterizada pelo aumento e diversificação do consumo familiar e infantil, expansão do acesso à educação formal, permanência das crianças na escola e redução considerável do trabalho infantil, embora as crianças continuem trabalhando, principalmente nas suas unidades domésticas.

O levantamento sobre o programa de transferência de renda do Governo Federal também foi realizada na Zona Rural de Orobó, no Agreste pernambucano.

A partir de agora, o estudo da UFPB deve explorar um contexto de cidade de grande porte. Nesse caso, será executado em João Pessoa, levando em conta a atual crise econômica e política e a retração dos benefícios, de acordo com a professora do Departamento de Ciências Sociais da UFPB e coordenadora da pesquisa, Flávia Pires.

“Metodologicamente, queremos elaborar uma modelo de metodologia que denominamos de Avaliação Crítica de Políticas Públicas por Crianças (ACPPC), com o objetivo de aplicá-la a outros contextos e para outras políticas”, conta a docente da UFPB.

Flávia Pires explica que o estudo aborda questões geracionais e como o consumo familiar e infantil, escolarização e o trabalho das crianças têm sido transformados ao longo das últimas seis décadas, através de intensa pesquisa qualitativa que envolve avós, mães e filhos.

“O grande diferencial da nossa pesquisa tem sido incluir as crianças como sujeitos capazes de realizar uma interpretação crítica do programa, tendo um entendimento global da política e um ponto de vista particular dos seus efeitos”, reforça a professora da UFPB.

Conforme Flávia Pires, o Programa Bolsa Família vem perdendo capilaridade na sociedade brasileira. “Desde o golpe contra Dilma, em 2016. Com o custo de vida aumentando, os benefícios sendo mais rigidamente controlados e toda uma rede de proteção social sendo destruída,  o benefício já não é suficiente para impedir a volta assombrosa da pobreza e da miserabilidade”, alerta a coordenadora da pesquisa.

“O atual governo não ganhou a eleição por ter prometido aumentar a seguridade social, combater a pobreza intergeracional, fortalecer o desenvolvimento social. Pelo contrário, sua política sempre foi de cortes nos gastos públicos, favorecimento de alguns setores da indústria (notadamente o agronegócio)”, finaliza Flávia Pires. Também contribuem para o estudo as pesquisadoras Patrícia Santos, Natalia Moura e Ana Victoria Batista.

O programa  O Bolsa Família foi criado em outubro de 2003, no primeiro mandato do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, e possui três eixos principais: complemento da renda, acesso a direitos e articulação com outras ações, a fim de estimular o desenvolvimento das famílias.

A gestão do Bolsa Família é descentralizada, ou seja, tanto a União, quanto os estados, o Distrito Federal e os municípios têm atribuições em sua execução. Em nível federal, o Ministério da Cidadania é o responsável pelo programa e a Caixa Econômica Federal é o agente que executa os pagamentos.

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