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Conheça a história do piso com suásticas que ficou quase 60 anos no Palácio do governo da Paraíba e pode virar peça de museu

A exposição das peças é uma promessa feita há 29 anos pelo então governador Antônio Mariz, que pediu a retirada do piso por se sentir incomodado com as suásticas no caminho para o seu gabinete e defendeu que “o Palácio da Redenção não poderia ser vitrine de nenhum pensamento ideológico”.

De acordo com historiadores, o arquiteto responsável pela instalação dos ladrilhos tinha relações com o fascismo italiano e também apontam que Argemiro de Figueiredo, governador na época da reforma do piso, fez uma gestão com influências da ideologia nazi-fascista.

Para Chico Pereira, apesar de não terem inventado a suástica, os nazistas a adotaram. E, por ter feito parte da história do Palácio da Redenção, o símbolo merece estudo. “Isto é uma missão do Museu esclarecer cientificamente. Creio que até lá saberemos se havia de simpatias pelo nazismo no governo”, disse.

A historiadora Loyvia Almeida, pesquisadora do governo Argemiro de Figueiredo, e o coordenador-geral do Museu do Holocausto no Brasil, Carlos Reis, são alguns dos que concordam que expôr as peças é importante para discutir a história e dar oportunidade para que o “terror do Nazismo” não seja repetido.

“A exposição desses azulejos é de imensa importância, não só pra lembrar o que aconteceu, o que foi o terror do Nazismo e combatê-lo sempre, mas pra conhecer a nossa própria história. Quando a gente fala em Segunda Guerra Mundial, nazismo, holocausto, parecem coisas tão longe da nossa realidade. Saber que tais influências chegaram à Paraíba e se materializaram num piso da sede do poder governamental, torna tudo muito mais próximo. A história ensina o tempo inteiro. Recusar-se a conhecê-la é aceitar o obscurantismo da ignorância”, afirma Loyvia.

Para o representante do Museu do Holocausto, a exibição do piso deve ser feita atrelada a uma discussão sobre a história da Paraíba e de Argemiro de Figueiredo.

A história do piso de suásticas

Construído em 1586, o Palácio da Redenção foi residência oficial do governador da Paraíba e hoje é a sede do poder executivo estadual (apesar de estar em reforma para abrigar, além do gabinete do governador, um museu).

Antes do início da restauração do prédio, o palácio era utilizado para eventos especiais do governo, como receber chefes de outros estados. A estrutura do prédio passou por várias alterações ao longo desses mais de 400 anos de história e, em uma dessas reformas – na década de 30, mesma época da ascensão da Alemanha Nazista – foram instalados os ladrilhos com suásticas.

A história da instalação das peças possui várias versões, muitas delas contadas de boca a boca, ou seja, alguém ouviu outra pessoa falando sobre o assunto e afirma que se deu de tal modo. O historiador José Octávio de Arruda Melo aponta o que seria a discussão mais aprofundada sobre a instalação das peças no seu livro “Os Italianos na Paraíba”.

Retirada do piso com suásticas por determinação do ex-governador Antônio Mariz — Foto: Reprodução/Arquivo/Jornal A União

Retirada do piso com suásticas por determinação do ex-governador Antônio Mariz — Foto: Reprodução/Arquivo/Jornal A União

Segundo o escritor, os ladrilhos foram instalados durante reformas solicitadas pelo então governador Argemiro de Figueiredo, que assumiu o cargo em 1935. Inicialmente, o historiador afirmava que o arquiteto Márcio de Lascio presenciou a instalação dos ladrilhos e disse que os símbolos representavam suásticas gregas, sem qualquer ligação com o nazismo. Porém, em uma nova edição do livro, o historiador considerou que os fatos não permitem essa conclusão.

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