O presidente Jair Bolsonaro foi aconselhado algumas vezes por aliados a não se envolver na campanha de 2020. Um presidente de partido ouvido pelo blog avalia que Bolsonaro estava na condição “privilegiada” de não se envolver na disputa, por não ter partido.

No entanto, mais importante do que ganhar para Bolsonaro, diz um ministro do governo, é derrotar os inimigos. No caso, João Doria (em São Paulo) e a esquerda em outras cidades.

Alguns dias antes do pleito, Bolsonaro ouviu o diagnóstico de que Celso Russomanno ia perder e que Marcelo Crivella perigava não chegar ao segundo turno, derrotado por Martha Rocha (PDT).

Rapidamente, construiu um discurso vacina: Bolsonaro sabia do risco da derrota dos aliados e, mesmo assim, se envolveu para, no futuro, dizer aos eleitores que “ele tinha avisado” se a administração que não escolheu fosse mal futuramente, como aconteceu com Wilson Witzel.

Outro argumento usado nos bastidores foi o de que Bolsonaro queria reforçar o apoio do seu eleitor evangélico — por isso, optou oficialmente por candidatos apoiados pela Igreja Universal, como Celso Russomanno (Republicanos) e Marcelo Crivella (Republicanos), para fazer um gesto.

A estratégia, no entanto, foi uma decisão pessoal do presidente e foi criticada pelos seus principais aliados políticos, que viram um erro trazer para o colo do presidente uma derrota que ele não precisava comprar.

Ocorre que, como avalia um cacique experiente de uma sigla aliada, o presidente não tem estratégia. “Quando Bolsonaro acerta, é sorte”, diz esse político.

Partidos do chamado Centrão acreditam que a relação da eleição municipal com a eleição nacional não é direta. Mas dá sinais e recados. Por exemplo: acreditam que, diferentemente de 2018, Bolsonaro não poderá contar com uma “onda” que o elegeu, com base no discurso anticorrupção — e arrastou candidatos que se vendiam como seus aliados.

Agora, será candidato à reeleição — e não venderá uma mudança, uma esperança — precisará “mostrar serviço“ dos últimos quatro anos no Palácio do Planalto, principalmente na economia. “É aquela história: menos ideologia, mais economia. É sobre administração, é trabalho manual. Não tem onda. O que será analisado será o resultado do mandato dele, o que ele fez em quatro anos, o que deixou de fazer”, diz um senador governista.

A avaliação é reforçada pelo resultado das urnas de 2020 até aqui: o eleitor mostrou que está em busca de gestão, experiência, soluções para a sua vida prática, e deixou de lado ideologias.

Por isso, o núcleo próximo de Bolsonaro defende que ele modere o tom e diminua os radicalismos: acham que, mesmo se ele acertar na economia, seu perfil de ataques e agressões vitamina adversários competitivos para 2022, de centro ou de direita, o que pode atrapalhar sua reeleição pois racharia sua base.

Alguns assessores presidenciais acreditam que Bolsonaro terá de se voltar cada vez mais à política tradicional, ao Centrão — também vitorioso nas urnas neste domingo — já que o presidente não será um candidato antipolítica em 2022. Mas, principalmente, resolver os gargalos da economia, para chegar favorito ao pleito presidencial e não abrir espaço para alternativas na cabeça do eleitor.

Ou seja: mostrar gestão, resolver a economia, focar na administração e trabalho — e deixar para os apoiadores radicais a retórica.

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