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A cidade de Botucatu (SP), que recebeu a vacinação em massa contra a Covid-19 com a AstraZeneca, no ano passado, registrou entre dezembro e janeiro um aumento de 604% dos casos confirmados da doença. Com 90% da população imunizada, no entanto, as hospitalizações e óbitos caíram substancialmente: o município registrou uma morte nos últimos 50 dias, e tem duas pessoas internadas em decorrência do vírus.

No período entre 10 de dezembro e 10 de janeiro, foram registrados 514 novos infectados pela doença. Nos 30 dias anteriores, haviam sido 73 novos casos. O crescimento expressivo pode ser justificado pelo avanço da variante Ômicron na cidade, segundo o secretário municipal da Saúde, André Spadaro, comentou ao R7.

 

“Botucatu vem assistindo a um aumento significativo de casos nas últimas três semanas, sendo registrados 408 casos positivos entre os dias 19 de dezembro e 8 de janeiro. Os primeiros casos da variante Ômicron foram identificados justamente em amostras colhidas entre os dias 19 e 22 de dezembro. Portanto, essa nova onda de casos se atribui à introdução e disseminação da nova variante”, afirma Spadaro, e prossegue:

“A transmissão vem aumentando de forma expressiva. Porém, em locais com coberturas vacinais avançadas, esse aumento de transmissão não vem se traduzindo proporcionalmente em aumento de hospitalizações e de óbitos.”

Diferentemente do padrão comum no auge da pandemia, no primeiro semestre de 2021, dessa vez as internações e óbitos não acompanharam o aumento de casos. Desde o início da pandemia, 323 pessoas faleceram em decorrência do coronavírus na cidade. Mas as últimas duas mortes ocorreram no último sábado (8) e em 19 de novembro, em um intervalo de mais de 50 dias.

 

Além disso, quatro novas internações foram registradas nos últimos dois meses – duas delas estão em leitos de enfermaria; na última semana, um caso evoluiu para óbito e outro paciente teve alta hospitalar. “Dois internados em enfermaria é um número bem significativo da resposta da cobertura vacinal”, comenta o secretário de saúde.

 

A queda no número de óbitos e a baixa quantidade de pessoas internadas nos últimos quatro meses estão diretamente atribuídas à imunização de quase toda a população botucatuense, segundo o médico sanitarista, fundador e ex-diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gonzalo Vecina Neto.

Vecina relembra casos como o de Serrana, que recebeu imunização em massa com CoronaVac, e reforça a importância de se imunizar contra a Covid-19. “Como sabemos, a vacinação protege contra casos graves e mortes. Por isso é fundamental tomar as duas doses e, passados quatro meses, tomar a de reforço. Talvez tenhamos que ter uma quarta dose no futuro, mas vamos ver mais à frente. É muito importante usar a vacina e o exemplo de Botucatu, que é um exemplo que já vimos em Serrana e no mundo inteiro”, diz o médico.

Estudo da Oxford aplicou vacinas em massa no município

O estudo da Oxford em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) imunizou 66 mil habitantes de Botucatu em 16 de maio, e outros 5 mil uma semana depois, no dia 22. A segunda dose para esses públicos ocorreu em agosto.

O restante da população recebeu as aplicações gradativamente, de acordo com o PEI (Programa Estadual de Imunização). Neste momento, a cidade tem mais de 90% de sua população total com a imunização completa, e quase 66% já receberam a dose de reforço.

O objetivo da pesquisa é descobrir a efetividade da vacina da Oxford após a primeira dose, após a segunda, sobre cada cepa circulante, o impacto da imunização em massa na transmissibilidade e o chamado efeito rebanho.

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