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Por Ricardo Novelino, g1 PE

 


Casa ficou destruída após deslizamento de barreira no Recife — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Casa ficou destruída após deslizamento de barreira no Recife — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O chefe da Defesa Civil do Recife, Cássio Sinomar Santana, que comanda as ações em áreas de risco em meio às chuvas que já mataram mais de 120 pessoas em Pernambuco nos últimos dias, é réu na Justiça Federal por fraudes em ações de auxílio em cidades pernambucanas atingidas por cheias há mais de 12 anos.

Em 2010, Sinomar, que é coronel do Corpo de Bombeiros, era coordenador da Defesa Civil do estado e atuava na Casa Militar. Investigação do Ministério Público Federal e Polícia Federal apontou a atuação de um grupo criminoso que praticou fraudes na execução de ações de auxílio à população afetada pelas chuvas naquele ano.

 

O atual chefe da Defesa Civil do Recife se tornou alvo de duas ações penais que ainda estão em andamento. De acordo com o MPF, as irregularidades incluíram fraudes em licitações, prática de sobrepreço, celebração de aditivos irregulares, pagamento por mercadorias não recebidas e serviços não prestados, entre outras irregularidades. Ainda não houve condenação no caso.

As empresas ligadas ao esquema, segundo as investigações, foram contratadas várias vezes para fornecimento de produtos e serviços em auxílio às vítimas das chuvas, como filtros de água, colchões, cobertores e água mineral.

Os agentes públicos envolvidos desviaram parte dos recursos repassados pela União, segundo as investigações da Operação Torrentes. A Justiça Federal informou que as duas ações penais seguem em andamento, na fase de produção de provas periciais, e ainda não houve condenação.

g1 entrou em contato com a Defesa Civil, para saber o posicionamento do coronel Cássio, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O g1 também procurou a prefeitura do Recife para comentar sobre o caso.

A assessoria da prefeitura informou que a carreira pública de 25 anos de Cássio Sinomar “é pautada pelo compromisso com a população e amparada pela seriedade em sua atuação ética”.

Ainda segundo a administração municipal, “a devida apuração dos fatos concluirá, respeitado o direito de ampla defesa, que seus atos foram praticados de acordo com a lei”.

Repasse emergencial em 2022

 

O processo veio à tona devido à necessidade de repasse emergencial de verbas para as vítimas das chuvas de 2022. O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco pediu informações aos governos federal e estadual para rastrear os recursos que estão para chegar.

Cássio Sinomar ocupou o cargo de coordenador da Defesa Civil de Pernambuco na gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto num acidente aéreo. A Operação Torrentes também tem como alvos policiais militares, empresários e bombeiros.

A partir de informações do MPF e da Justiça Federal em Pernambuco, o g1 resgatou os principais passos da operação, que começou com 15 prisões e sequestro de bens. Segundo a Justiça Federal, o coronel Cássio Sinomar foi alvo de duas etapas de denúncias, oferecidas em 2019.

Desde então, foram 12 etapas de denúncias envolvendo ao menos 40 pessoas. Houve, ainda, condenações de policiais militares e empresários pela Justiça Federal. Os prejuízos aos cofres públicos são estimados em cerca de R$ 30 milhões.

Cassio Sinomar, como coordenador da Defesa Civil estadual, atuava na Casa Militar. Ele ocupou esse cargo até setembro de 2014. Em seguida, virou secretário executivo da Defesa Civil do Recife, cargo que ocupa até hoje, passando pelas gestões do ex-prefeito Geraldo Julio (PSB) e do atual prefeito, João Campos (PSB).

G1

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