Nesta terça-feira (8) completam mil dias desde que a vereadora Mareielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados, na esquina das ruas Joaquim Palhares e João Paulo I, no Estácio, Rio de Janeiro e a luta dos familiares e amigos para encontrar respostas sobre o crime.

O crime segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios e o Ministério Público. Em março de 2021, o assassinato completa três anos, sem que os acusados, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, tenham ido a julgamento em júri popular.

Um protesto na Cinelândia marcou a data de mil dias durante a manhã, com mais de 500 despertadores colocados em frente à Câmara de Vereadores, que também foi o local do velório da vereadora.

Mônica Benício, viúva de Marielle, foi eleita, em novembro, para o mesmo cargo de vereadora que Marielle ocupava quando foi assassinada. Ela disse que vai continuar com projetos que eram tocados por Marielle, como o da visibilidade lésbica, a pauta LGBT e outros projetos de lei propostos na Câmara que ela alega que não foram implementados.

Ela também acredita que há possibilidade de o crime ter sido por uma motivação política. Apontando que os acusados foram pagos para matar a vereadora e que há um mandante do crime.

Além do PM reformado Ronnie Lessa e do PM expulso Elcio de Queiroz, outras pessoas foram presas suspeitas de terem atirado as armas de Lessa ao mar, para tentar ocultar o crime. Não ficou claro se a arma do crime também foi jogada ao mar. Foram presos na Operação Submersus a operação Elaine Lessa, e seu cunhado, Bruno Figueiredo.

A Delegacia de Homicídios da Capital recebeu acusações, feitas pelo miliciano Orlando da Curicica, de receber propina para não investigar os crimes cometidos a mando de bicheiros e até com a chamada “investigação da investigação”, em 2018.

Rivaldo Barbosa deixou o cargo de chefe de Polícia Civil no início de 2019 e desde então dois secretários de Polícia Civil e três delegados comandaram a Delegacia de Homicídios responsável pela investigação do caso, o mais recente, Moysés Santana, assumiu o cargo há 90 dias.

O vereador Marcello Siciliano, investigado por envolvimento com milícias na Zona Oeste, chegou a ser investigado como o mandante do crime, em um suposto conluio com Orlando, atualmente preso em um presídio federal fora do Rio de Janeiro. Posteriormente, a testemunha que ventilou a hipótese à Polícia Civil, o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, foi preso por envolvimento com a milícia.

A Polícia Federal, que encaminhou Ferreirinha à DH, concluiu que ele criou a história para confundir as autoridades e se vingar de Orlando, para quem já trabalhou.

Em 17 de setembro de 2019, Raquel Dodge, que deixava a Procuradoria-Geral da República, informou que apresentou denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra cinco pessoas por interferência nas investigações do assassinato da vereadora e do motorista.

Fora denunciados um conselheiro afastado do TCE-RJ, Domingos Brazão, e um funcionário do gabinete dele, o PM Rodrigo Jorge Ferreira e a advogada dele, além um policial federal. (Veja quem são os denunciados e o que disseram)

Dodge também pediu ao tribunal a abertura de um novo inquérito para apurar quem foram os mandantes do crime e solicitou que toda a investigação do caso vá para o âmbito federal. No dia 805 desde o crime, no entanto, a proposta de federalização foi negada, e a investigação segue a cargo da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro.

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