A Itália já deu apelidos famosos a jogadores brasileiros. Os mais lembrados são o do Ronaldo Fenômeno e Adriano Imperador. Com outra pompa, mas numa transferência que deu o que falar em Turim, Bremer trocou a Torino pela Juventus, times com rivalidade enorme da mesma cidade. Hoje, ele é conhecido como “Il Colosso de Itapitanga”.

A cidade natural do zagueiro de 25 anos da Seleção fica próxima à Ilhéus, na Região Cacaueira da Bahia. O defensor chegou a Turim com 78 kg. Saiu aos 20 anos do Atlético-MG. Foi a 82 kg e hoje pesa 86 kg. Resultado de academia extra, além da natural que o elenco faz, toda semana. Mas toda essa potência sem perder a rapidez. Ele atinge de 34 km/h a até 35 km/h em alta velocidade em campo.

– Eu sempre me preocupava com isso. Falava com o preparador: “não posso pegar muita massa muscular e ficar lento”. Ele me deu o exemplo desses caras dos 100 metros rasos, né? Fisicamente muito fortes, mas velocidade não perde. Talvez você perde um pouco de agilidade, mas velocidade você não perde – conta Bremer, em entrevista ao ge dias antes da Copa.

– Se você não está bem fisicamente para parar algum jogador, se não está bem, jogar contra o Lukaku, jogar com esses caras, um cara desses te atropela.

Entre os poucos mais de 10 mil habitantes de Itapitanga, da rota do cacau baiana, saiu Bremer aos 14 anos. Gleibson é o primeiro nome. Bremer é homenagem ao ex-lateral-direito alemão Brehme, autor do gol do título da Alemanha na Copa de 1990. O início da trajetória foi na base do Desportivo Brasil. Foi emprestado ao São Paulo, estreou profissionalmente no Atlético-MG sob as mãos de Roger Machado até ser vendido por 5,5 milhões de euros para a Torino. Na última janela, custou mais de 40 milhões de euros a Juventus.

Bremer disputou apenas um amistoso pela Seleção antes da convocação final — Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Bremer disputou apenas um amistoso pela Seleção antes da convocação final — Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Bremer, zagueiro da Seleção, na infância em Itapitanga — Foto: Arquivo pessoal

Bremer, zagueiro da Seleção, na infância em Itapitanga — Foto: Arquivo pessoal

 

– Eu cheguei quase nos 49 minutos do segundo tempo, né. A porta estava fechando, eu falei: “calma aí, que tem mais um passageiro direto de Itapitanga, né?” Longe pra caramba, lá de onde o vento faz a curva. Fui um dos últimos – disse Bremer.
Ao lado de Vlahovic e Chiesa, a camisa de Bremer — Foto: Raphael Zarko

Ao lado de Vlahovic e Chiesa, a camisa de Bremer — Foto: Raphael Zarko

A 3 de Bremer em primeiro plano e, ao fundo, o antigo dono da camisa, Chiellini — Foto: Raphael Zarko

A 3 de Bremer em primeiro plano e, ao fundo, o antigo dono da camisa, Chiellini — Foto: Raphael Zarko

O nome de Bremer para ser estampado nas camisas — Foto: Raphael Zarko

O nome de Bremer para ser estampado nas camisas — Foto: Raphael Zarko

A trasnformação de Bremer vem de muito antes da Seleção. Na infância difícil em Itapitanga, ajudava a mãe, dona Cosmélia, professora de Religião na cidade, e o pai José Carlos. Vendia “geladinho” – sorvete – na rua e fazia “carrego” – levar compras da feira, do mercado em carrinho de mão até a casa do cliente – para ganhar R$ 2, R$ 3 – “quando a gente sabia que podia dar mais, pedia R$ 50 (risos)” – e inteirar passagem para jogar futebol na escolinha “Sonho de Craque”.

O pai foi zagueiro no campeonato Intermunicipal, muito famoso pela Bahia. É chamado de “maior campeonato amador do mundo” e movimenta todas as regiões do estado. De lá saíram jogadores de nome como Aldair, campeão do mundo em 1994, Liedson, Junior Baiano, entre muitos outros famosos. Mas o pai não queria que ele saísse cedo sem terminar os estudos. Acabou aceitando.

Bremer, zagueiro da Seleção, na infância em Itapitanga — Foto: Arquivo pessoal

Bremer, zagueiro da Seleção, na infância em Itapitanga — Foto: Arquivo pessoal

Bremer, zagueiro da Seleção, na infância em Itapitanga — Foto: Arquivo pessoal

Bremer, zagueiro da Seleção, na infância em Itapitanga — Foto: Arquivo pessoal

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