BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) — Ao mesmo tempo em que enfrenta a pandemia da Covid-19, o Brasil contabiliza neste ano 971.136 casos prováveis de dengue, segundo dados divulgados nesta terça-feira (24) pelo Ministério da Saúde.

O total, que considera os registros entre janeiro até 14 de novembro, representa uma redução de 35,5% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve 1.504.627 casos prováveis da doença.

Especialistas, no entanto, têm apontado que a doença pode ter sido alvo de subnotificação neste ano devido ao impacto da Covid-19 nos sistemas de saúde.

Boletins epidemiológicos recentes do Ministério da Saúde sobre a dengue também apontam que, até a semana em que foi declarada a pandemia, a curva de casos da doença era maior do que em 2019, mas passou a ter uma redução desde então.

“Esta redução pode ser atribuída à mobilização que as equipes de vigilância epidemiológica estaduais estão realizando diante do enfrentamento da emergência da pandemia do coronavírus, o que pode estar ocasionando atraso ou subnotificação das arboviroses”, diz documento da pasta.

“Outro fator importante que pode estar associado ao contexto da pandemia é o receio da população de procurar atendimento em uma unidade de saúde”, completa o ministério no mesmo documento, segundo o qual os dados ainda podem crescer.

A possibilidade de subnotificação, no entanto, não foi citada pela pasta em evento nesta terça (24) onde foram divulgados os dados atualizados junto de uma campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti.

De acordo com o ministério, a maioria dos casos registrados de dengue ocorreu até junho deste ano. Os estados de Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Mato Grosso tiveram as maiores taxas de incidência da doença, com 528 mortes confirmadas no país – para comparação, no mesmo período de 2019, foram 820.

Além da dengue, a pasta também divulgou dados que apontam 78.808 casos de chikungunya até o momento, redução de 37% em comparação ao ano passado.

O país também contabiliza até o momento 7.006 casos prováveis de zika – dos quais cerca de 75% ocorreram até junho. Com a chegada do verão e o período de chuvas em algumas regiões, cenário tido como mais favorável ao mosquito Aedes aegypti, que transmite as três doenças, os casos podem voltar a ocorrer.

CAMPANHA NACIONAL

Os números atualizados foram divulgados em evento de lançamento de uma campanha com o mote “Combater o mosquito é com você, comigo e com todo mundo”.

No encontro, o assessor-técnico do Conass (Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Saúde), Fernando Avendanho, também defendeu que a comparação com o cenário de 2019 seja observada com cautela. “Essa queda no número de casos de dengue, zika e chikungunya ainda pode sofrer mudanças”, disse.

A campanha de combate ao mosquito deve ser divulgada nas redes sociais até o fim deste ano. Após o lançamento, representantes do ministério saíram em carreata na Esplanada dos Ministérios junto com 50 caminhões de fumacê.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não participou do evento. A pasta também não abriu espaço para perguntas da imprensa.

O secretário-executivo do ministério, Elcio Franco, afirmou que o país vive “o maior desafio do século 21, que é a pandemia [da Covid-19], mas que o desafio está sendo vencido pela união dos estados, municípios e governo federal”.

A declaração ocorre em meio a críticas sobre a falta de ações da pasta no controle da epidemia da Covid-19 e em meio ao aumento de internações pela doença em algumas capitais do país.

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