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O pré-candidato à Presidência Sérgio Moro (Podemos) afirmou nesta quinta-feira, 2, que o presidente Jair Bolsonaro (PL) comemorou quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi solto em 2019, após o Supremo Tribunal Federal (STF) mudar o entendimento sobre a prisão em segunda instância.

A declaração do ex-ministro da Justiça foi dada durante entrevista à rádio Jovem Pan Paraná. Na ocasião, Moro foi questionado a respeito de ter sido considerado traidor por bolsonaristas, e respondeu lembrando o episódio.

Conforme o ex-juiz da Lava Jato, ele, Moro, teria trabalhado “nos bastidores e publicamente” para impedir a mudança do STF, enquanto isso, o mandatário teria ficado inerte e, inclusive, celebrado a liberdade do petista, por acreditar que a soltura de Lula poderia beneficiá-lo.

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“Depois que o Supremo reviu essa decisão, eu trabalhei junto ao Congresso por uma emenda constitucional e por um projeto de lei para restabelecer a execução em segunda instância. […] O presidente não fez nada (para reverter a decisão do STF que vetou a prisão em segunda instância). E, na verdade, o que a gente sabia é que o Planalto, o presidente comemorou quando o Lula foi solto em 2019 porque ele entendia que aquilo beneficiava ele literalmente. Então, ele não trabalhou para manter a execução em segunda instância”, disparou Moro.

O presidenciável ainda disse que Bolsonaro teria mandado apagar de seu Twitter uma publicação sobre segunda instância, feita por um de seus filhos. Moro não citou qual dos rebentos do presidente teria feito a postagem.

“Inclusive, na época, o filho dele fez lá no Twitter dele, falando da execução em segunda instância e o presidente mandou apagar. Foi um episódio meio constrangedor”, revelou o ex-ministro.

Mesmo sem falar o nome de quem teria sido o autor do tuíte, à época, em outubro de 2019, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) chegou a fazer uma publicação se desculpando por um post feito na conta oficial do pai sem autorização.

“Aos que questionam, sempre deixamos clara nossa posição favorável em relação à prisão em segunda instância. Proposta de Emenda à Constituição que encontra-se no Congresso Nacional sob a relatoria da Deputada Federal Caroline De Toni”, dizia o tuíte excluído.

Posteriormente, o parlamentar pediu desculpas por meio da mesma rede social: “Eu escrevi o tweet sobre segunda instância sem autorização do Presidente. Me desculpem a todos! A intenção jamais foi atacar ninguém!”, escreveu.

Ainda durante a entrevista, Moro também afirmou que Bolsonaro teria sabotado suas ações enquanto estava à frente da pasta da Justiça e Segurança Pública. Segundo o pré-candidato, o chefe do Executivo não cumpriu com a sua palavra de lutar pelo combate à corrupção e de que ninguém, mesmo membros do governo, seriam poupados de investigações, caso necessário.

“Ele não fez nada disso. Ao contrário, começou a sabotar o que eu fazia. Até que chegou em um momento que eu simplesmente saio (do ministério)”, explicou o ex-juiz, que deixou a pasta em 2020. No período, Moro acusou Bolsonaro de interferência na Polícia Federal (PF), pediu demissão e rompeu com o mandatário, que por sua vez, prestou depoimento sobre as acusações e negou interferência no órgão.

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