No dia 8 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro abriu a reunião no terceiro andar do Palácio do Planalto pedindo a opinião de seus ministros sobre qual caminho deveria seguir: dar continuidade ao discurso radical dos atos de 7 de Setembro ou serenar os ânimos exaltados. Com uma caneta nas mãos e uma folha de papel em branco, Bolsonaro disse que traçaria duas colunas com os votos de cada um dos auxiliares sobre o rumo que deveria tomar diante do ápice da tensão institucional que ele próprio criou com a cúpula do Judiciário. Alguns auxiliares defenderam que era hora de pacificar; outros argumentaram que o presidente deveria ouvir o “apelo das ruas” e não recuar.

O diálogo simboliza um movimento frequente ao longo dos mil dias de governo, completados hoje: levantamento do GLOBO mapeou cem crises no período, uma média de três por mês.

Bolsonaro estava prestes a esticar a corda mais uma vez quando foi convencido pelo ex-presidente Michel Temer a escrever uma carta pública apaziguando a relação com o STF, em geral, e com o ministro Alexandre de Moraes, em particular, já que o magistrado foi o destinatário do xingamento mais pesado (“canalha”) e da ameaça mais explícita — não cumprir decisões judiciais. Apesar do gesto, a harmonia entre os Poderes foi abalada, e os limites das instituições, testados outra vez.

Pressionado pela queda de popularidade — 53% avaliam a gestão como ruim ou péssima, segundo os institutos Ipec e Datafolha —, por quase 600 mil mortes na pandemia, por 132 pedidos de impeachment e por investigações no STF e na CPI da Covid, o presidente tentou reagir elevando o tom de seus ataques em diversos momentos no curso do governo. Nessa estratégia, voltou sua ira contra governadores, integrantes do Congresso, membros do Supremo, a imprensa, o vice, Hamilton Mourão, e até mesmo contra auxiliares que o incomodavam, casos dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Sergio Moro (Justiça), que pediu demissão acusando Bolsonaro de interferir na Polícia Federal.

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