O anúncio do presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), na noite de domingo (26), de que o general da reserva Walter Braga Netto (PL) deve ser o vice em sua chapa que disputará a reeleição nas eleições de 2022 não foi articulado antes com os integrantes da ala política, especialmente do centrão. Bolsonaro fez o anúncio no programa 4×4, exibido no YouTube.

“Pretendo anunciar nos próximos dias o general Braga Netto como vice”, afirmou Bolsonaro, na entrevista. Até o momento, porém, não há uma programação fechada sobre como esse anúncio deve ocorrer. A fala do presidente não é uma surpresa total, mas não foi combinada e tenta também mudar o foco do noticiário sobre o escândalo do MEC (Ministério da Educação).

Desde fevereiro, a escolha de Braga Netto já era dada como certa nos bastidores. No entanto, há alguns dias, integrantes do PP, PL e Republicanos pressionavam para que Bolsonaro optasse por Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. A ideia era tentar melhorar os números de Bolsonaro junto às eleitoras e angariar votos femininos.

Bolsonaro deve manter a escolha por Braga Netto influenciado pela preocupação com o poder dado ao centrão. Na visão de Bolsonaro, a escolha de um vice que integrasse os partidos do centrão fazia com que o presidente temesse sofrer uma tentativa de golpe seis meses depois em um eventual novo mandato.

O centrão ainda tentava emplacar Tereza Cristina porque as últimas pesquisas de intenção de voto mostraram a possibilidade de o ex-presidente Lula vencer, inclusive, no primeiro turno e evidenciaram o problema junto ao eleitorado feminino. Na última pesquisa Datafolha, da semana passada, Lula teve 47% das intenções de voto, e Bolsonaro, 28%. Entre as mulheres, o petista vence de 49% a 21%.

O último Datafolha e as demais pesquisas que saíram nos últimos dias deixaram os bastidores da campanha de Bolsonaro em alerta. A ala política avalia que o quadro é muito difícil e está discutindo medidas para tentar melhorar os números. Um dos pontos levantados é a agenda do presidente.

Também existem conflitos dentro da família Bolsonaro. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) critica as ações da ala política e as inserções na televisão e defende que o presidente continue falando para sua base junto às redes sociais. Já a ala política, que conta com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), coordenador da campanha, diz acreditar que seja necessário ampliar o discurso e a aproximação de Bolsonaro com diferentes faixas do eleitorado.

uol

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