Promotores do Ministério Público interceptaram menções ao presidente Jair Bolsonaro em investigações acerca do papel do ex-policial do Bope Adriano da Nóbrega nos negócios da milícia no Rio de Janeiro. Em seguida, determinaram o encerramento dos grampos em suspeitos.

O caso e parte dos diálogos foram revelados nesta quarta-feira 10 pelo site The Intercept Brasil. O MP não tem o poder de investigar o presidente da República – essa prerrogativa é da Procuradoria-Geral da República. Mas. ao contrário do esperado, os procuradores não encaminharam o caso à PGR.

Em relatórios da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro obtidos pela reportagem, ao menos duas pessoas ligadas à Nóbrega mencionaram o presidente Jair Bolsonaro em diálogos sobre a situação do ex-PM.

Uma das pessoas foi a irmã de Adriano, Tatiana Magalhães da Nóbrega. Ela começou a ser monitorada no dia 6 de fevereiro de 2019, aponta a reportagem, dias depois do irmão ter a prisão decretada em razão da Operação Intocáveis, que denunciou policiais ligados à milícia em Rio das Pedras e Muzema, zona oeste carioca. No dia 9, Adriano foi morto em uma operação da PF na Bahia, onde estava escondido.

Tatiana afirma, em diálogo com uma mulher não identificada, que estava passando por dificuldades para dar prosseguimento ao enterro do irmão. Ela também menciona que ele “não era miliciano, era bicheiro” e que, naquele momento, estavam tentando ligá-lo ao presidente Jair Bolsonaro.

Sete dias após a conversa, o MP do Rio não recomendou que as escutas fossem renovadas.

Na interceptação de Luiz Carlos Felipe Martins, conhecido como “Orelha” e um dos braços direito de Adriano da Nóbrega, segundo o MP, o amigo mencionou que Nóbrega “dizia que se fodia por ser amigo do Presidente da República”. Novamente, as escutas não foram renovadas após a menção a Bolsonaro.

A reportagem afirma que o Ministério Público do Rio não encaminhou as informações recolhidas à Procuradoria-Geral da República, que tem a prerrogativa legal de investigar o presidente. O Palácio do Planalto não se posicionou ao Intercept.

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