Em entrevista ao UOL News, a delegada Bárbara Lomba Bueno, responsável pela prisão em flagrante do anestesista Giovanni Quintella Bezerra, de 32 anos, afirmou que o suspeito se manteve em silêncio e se mostrou “conformado” após a prisão. Bezerra foi detido na segunda-feira (11) no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João do Meriti, na Baixada Fluminense, por estuprar uma gestante inconsciente enquanto fazia uma cesariana.

“Ele ficou em silêncio. Perguntou o que estava acontecendo e quando dissemos do vídeo ele silenciou e assim se manteve, inclusive na delegacia. Não demonstrou nenhuma indignação ou intenção de explicar nada, porque realmente em relação aquela ação não havia explicação. Simplesmente ficou calado e até se mostrando conformado, na verdade, quando soube que havia o vídeo a casa caiu”, relatou Bárbara, durante a participação no UOL News

A delegada também afirmou que recebeu relatos de outras pacientes que foram sedadas sem necessidade, ou então receberam uma dose muito alta de anestésicos. “Vamos verificar se é possível uma prova pericial que correlacione a presença de uma substância durante muito tempo no organismo e se isso realmente indica uma dosagem excessiva. Revisitamos os prontuários das possíveis vítimas identificadas e vamos ver o que foi colocado no prontuário das pacientes daquele dia”.

Bárbara também destacou que caso não haja uma documentação no prontuário das pacientes, poderá ser considerado um indício de ocultação de informações. “Tudo vai ser considerado, mas precisa ser feito com cautela. Vamos ouvir outras possíveis vítimas e houve duas outras pessoas que nos procuraram e foram atendidas em outras datas e também foram sedadas. As informações precisam ser cruzadas para ver se existe a possibilidade de exame pericial”.

A delegada disse ainda que foi pedido ao hospital uma relação de todas as pacientes que foram assistidas por Bezerra em cirurgias e também serão levantados dados de pacientes atendidas fora do Hospital da Mulher Heloneida Studart. Apesar de não saber precisar o número de vítimas do anestesista, Bárbara afirmou que existem outras mulheres que foram abusadas.

Eu não tenho ideia de quantas, mas posso me arriscar a dizer que ele praticou outros fatos. Se nós vamos conseguir provar de forma consistente eu não sei, mas vamos levantar quem foi atendido e quais foram os procedimentos adotados. (…) desde que ele atua como anestesista é possível que haja outras vítimas.

Outros médicos também já foram ouvidos pela polícia de acordo com a delegada e afirmaram que a sedação não costuma ser usada nesses casos, apenas se a gestante estiver muito agitada, apesar de normalmente não ser feita na cesariana.

“Saber se houve a sedação e em que nível aconteceu com outras pacientes poderá ser um indicativo de que ele realmente cometeu outros crimes. Os relatos que temos colhido apontam para que a sedação nesse nível que era feita não era necessária”.

Por fim, a delegada também confirmou que o acompanhante da vítima acompanhou o parto e o estupro teria acontecido em outro momento.

O bebê já havia nascido e por isso o acompanhante não estava na sala. Os últimos relatos nos dizem que a execução do crime se iniciou depois de a criança ter nascido, quando obstetras e cirurgiões estavam fazendo a sutura e finalização do procedimento cirúrgico.

Bezerra segue sem defesa, já que o advogado que o representaria deixou o caso. Sua versão será adicionada à matéria assim que haja um posicionamento.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

quinze − três =