Wilson Witzel (PSC), governador afastado do Rio de Janeiro, voltou a morar com a família em sua casa no Grajaú, na Zona Norte do Rio. Ele deixou o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do RJ. A mudança começou no domingo (8) e terminou nesta segunda-feira (9).

 

Na quinta-feira (5), o Tribunal Especial Misto decidiu por unanimidade dar prosseguimento ao processo de impeachment de Witzel (PSC). O afastamento foi determinado em razão de suspeita de irregularidades e desvios na área da saúde. Ele negas as acusações.

O tribunal também havia decidido que ele teria que deixar o Palácio Laranjeiras, além de ter uma redução em seu salário.

A intimação do governador sobre o resultado da sessão estava pronta no início da tarde desta segunda e a expectativa era que ele recebesse o documento até o fim do dia.

A partir do dia da intimação, ficará suspenso de Witzel o exercício da função de governador de Rio de Janeiro até a sentença final. Ele passa,então, à condição de denunciado.

Na sessão desta quinta, todos os componentes do tribunal também votaram para que o salário do governador afastado seja reduzido em 1/3. Ele recebeu, em outubro, R$ 14.621,33 – a previsão é que a remuneração líquida caia para R$ 9,7 mil.

 

Tribunal Misto forma maioria para prosseguir com o impeachment de Witzel

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Em nota divulgada nesta segunda-feira (9), Witzel diz que durante todo o período em que ocupou o Palácio Laranjeiras, “o fez seguindo orientações da segurança, em razão do deslocamento, pela proximidade à sede do Governo do Estado, o Palácio Guanabara. Mas jamais deixou de, eventualmente, estar em sua casa, no Grajaú”.

Durante a campanha em 2016, Witzel disse que não sairia do Grajaú para morar no Palácio.

Confira abaixo a íntegra da nota:

“O governador afastado Wilson Witzel voltou a morar com a família em sua casa, no Grajaú. Witzel informa que durante todo o período em que ocupou o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio de Janeiro, ele o fez seguindo orientações da segurança, em razão do deslocamento, pela proximidade à sede do Governo do Estado, o Palácio Guanabara. Mas jamais deixou de, eventualmente, estar em sua casa, no Grajaú.

Durante o processo de impeachment, cuja admissão é tão somente para avaliar a veracidade dos fatos, foi incluída pelo relator, deputado do PT, a desocupação do Laranjeiras, de forma ilegal, o que gera a preocupação de que decisões do Tribunal Misto, que deve se submeter às regras processuais e constitucionais, sejam tomadas sem amparo legal contra um governante democraticamente eleito. O relator prometeu um julgamento imparcial e técnico, mas incluiu de última hora a desocupação, impedindo a defesa de Witzel de atuar. O governador lembra que nem no processo da ex-presidente Dilma tal solicitação absurda foi feita.

O Tribunal Misto não está acima da jurisdição dos Tribunais Superiores. O governador e sua família sempre preferiram residir em seu imóvel familiar. Apesar da ordem ilegal o Laranjeiras não será mais utilizado durante o afastamento de suas funções.”

Wilson Witzel, afastado do governo do RJ após denúncia de corrupção e lavagem de dinheiro — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Wilson Witzel, afastado do governo do RJ após denúncia de corrupção e lavagem de dinheiro — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Próximos passos

 

Veja, abaixo, os próximos passos do processo de impeachment de Witzel:

  • A decisão de prosseguimento do impeachment deve ser publicada em até 10 dias.
  • Witzel tem mais 20 dias para se defender.
  • Quando a defesa for entregue, o presidente convoca sessões para ouvir testemunhas.
  • Acusação e defesa podem fazer perguntas.
  • Ao fim, acusação tem até 10 dias para apresentar alegações finais.
  • Defesa também tem 10 dias para apresentar alegações finais.
  • Julgamento final é marcado.
  • Caso 7 ou mais integrantes votem a favor do impeachment, Witzel é destituído do cargo e perde os direitos políticos.
  • Em caso de impeachment, tribunal misto decide por quanto tempo vale a perda de direitos políticos.
  • Caso o resultado seja contrário ao impeachment, Witzel reassume o cargo (desde que já tenham acabado os 180 dias de afastamento determinados pelo Superior Tribunal de Justiça).

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