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Muito se tem questionado a respeito do avanço da China pelo mundo, especialmente, diante da possibilidade de que muito em breve venha a se tornar a maior potência do planeta, superando os Estados Unidos. O questionamento maior é pelo fato de se tratar de um regime que, embora tenha a economia aberta, tem um sistema político comunista fechado, opressivo e cerceador das liberdades individuais. Além de perseguir minorias dentro de seu próprio território, como faz com os muçulmanos uigures, na província de Xinjiang, no Noroeste do país. No entanto, a China vem estendendo seus tentáculos pelo mundo, tendo como suporte o programa One Belt One Road (Um Cinturão Uma Rota), lançado em julho de 2017 e que é chamado de a Nova Rota da Seda.

Trata-se do maior plano de investimentos da história da humanidade. Ele inclui nada menos do que 5 trilhões de dólares, dinheiro que está sendo investido em 65 países, que juntos concentram 63% da população global. A projeção é de investimentos ao longo dos próximos 40 anos. O objetivo é nítido: hegemonia. O megaprojeto inclui portos, rodovias, ferrovias, gasodutos, oleodutos e centros de distribuição, tudo para favorecer as exportações chinesas. É exatamente a mesma estratégia adotada pelas duas últimas superpotências. Nos séculos 18 e 19, os ingleses construíram ferrovias e portos no mundo inteiro, do Paraguai à Índia. Assim, eles ocupavam a capacidade ociosa de suas indústrias, davam emprego a seus trabalhadores e abriam mercados para seus produtos e serviços. De quebra, emprestavam dinheiro aos outros países, gerando dependência econômica e ganhando com os juros. Os americanos fizeram exatamente a mesma coisa nas décadas de 1940 e 1950. Agora é a vez da China, que pretende concluir todas as obras de seu megaprojeto até 2049, quando a revolução popular chinesa, liderada por Mao Tse-tung em 1949, completará 100 anos.

Um dos principais projetos da Nova Rota da Seda é a melhoria da rede ferroviária. Os chineses já têm 20 linhas de carga que conectam o país a vários centros econômicos da Europa e da Ásia, mas querem converter tudo em ferrovias de alta velocidade. A viagem de um trem cargueiro de Pequim a Moscou, por exemplo, passaria a demorar 30 horas, ao invés dos cinco dias de hoje. Tudo graças a trens de alta velocidade que ficarão prontos até 2025. Ao todo, somados os projetos em estudo e em andamento, a China pretende construir 175 mil quilômetros de ferrovias nos próximos dez anos. O megaprojeto também tem obras no Oriente Médio e na África. E a estratégia consiste em financiar obras de infraestrutura para facilitar a chegada de produtos chineses, assim como para escoar o que a China produz no respectivo país. Até aí tudo de acordo com os padrões colonialistas já conhecidos. A inovação está no fato de que, se o país não consegue pagar o financiamento, a China toma para si a respectiva obra. Isto já aconteceu no Sri Lanka, onde os chineses construíram um porto. O governo local não conseguiu pagar e então a China impôs a tomada da administração do porto por 99 anos.

Tem-se perguntado como ficaria o Brasil no caso de uma adesão ao programa chinês. Pois o Brasil tem um status de parceiro da China no Brics, o bloco que reúne, além dos dois, Rússia, Índia e África do Sul. Apesar de nossos problemas, temos uma economia e uma democracia consolidadas. Diferente da maioria dos países asiáticos ou africanos onde a China tem feito parceria. Ou seja, estamos mais protegidos, mas é importante o mundo estar atento ao avanço do dragão chinês.

 

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