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Jair Bolsonaro arrumou uma nova encrenca na disputa pela reeleição. E é das boas.

Vai enfrentar a insatisfação do milhão de servidores federais, já em mobilização sindical , que se consideram sob discriminação salarial do governo, em comparação a militares e policiais federais.

O serviço público, de maneira geral, ficou em posição privilegiada em relação ao setor privado, onde a pandemia e o processo recessivo deixaram mais precárias as condições contratuais, o desemprego aumentou e os salários entraram em queda livre.

Mesmo assim, Bolsonaro achou boa ideia aumentar salários de um segmento do aparato de segurança pública, o de policiais federais e agentes do Departamento Penitenciário Nacional.

Havia estabelecido um precedente, em 2019, ao dar reajuste às Forças Armadas, em parcelas que se estendem até o primeiro semestre de 2023. Na sequência, em 2020, obteve do Congresso aumento para os policiais civis, militares e bombeiros do Distrito Federal, que são pagos pela União.

São grupos profissionais onde fez campanha durante três décadas como deputado federal e que, em 2018, teve peso específico na sua eleição.

O balão do reajuste dos agentes federais foi inflado por Anderson Torres, ministro da Justiça, um delegado da Polícia Federal que tem frequentado listas de candidatos bolsonaristas a uma cadeira de deputado pelo DF.

Precisavam arranjar R$ 2,9 bilhões dentro do Orçamento de 2022. Não havia dinheiro disponível. Bolsonaro mandou o Ministério da Economia se virar.

Na semana passada, Paulo Guedes fez um apelo, por escrito, à Comissão Mista de Orçamento. Foi a contragosto, registrou em público, mais tarde. Em seguida, Bolsonaro telefonou para alguns parlamentares.

A comissão do Congresso autorizou R$ 1,7 bilhão — ou seja, deu 41% a menos do que o governo havia pedido. Foi além: mandou a Economia arranjar esse dinheiro dentro do próprio orçamento.

Bolsonaro e Torres podem não ter ficado felizes, mas conseguiram parte do que desejavam. Têm chance de obter R$ 1,2 bilhão que faltam com cortes adicionais em outros ministérios, ou por aumento de arrecadação.

Em contrapartida, incendiaram as demais áreas do funcionalismo, sem salários reajustados desde 2019. Podem continuar assim até 2023 por causa dos limites constitucionais para gastos com pessoal.

Indícios de rebeldia já são evidentes em segmentos mais organizados do serviço público, como a Receita Federal e o Banco Central, que abrigam fatias da elite dos servidores federais.

O candidato Bolsonaro se meteu numa enrascada que o presidente não pode resolver.

No limite, se houver reação dos servidores, o governo imagina recorrer aos líderes do Centrão para “construir uma saída constitucional” que permita a expansão dos gastos com pessoal. Só aconteceria na reabertura do Congresso, em fevereiro. Nesse cenário, tentaria uma reprise da tática do “jeitinho” aplicada no calote nas dívidas judiciais (precatórios).

É operação política difícil, mas o que menos preocupa Bolsonaro na luta pelo poder, hoje, é o tamanho da conta a ser paga pela sociedade no próximo governo, qualquer que seja o eleito.

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