Bloco Principal 3

Milei assina decreto para barrar ou expulsar estrangeiros que atacarem argentinos

O presidente da Argentina, Javier Milei, assinou um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) que determina o impedimento da entrada no país ou a expulsão de estrangeiros que promovam ou incentivem mensagens de ódio, discriminação e violência contra argentinos em razão de sua nacionalidade.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (29) pelo Gabinete da Presidência argentina, que afirmou que a medida responde às “recentes manifestações de hostilidade” contra a Argentina.

Segundo o comunicado oficial, o decreto inclui como motivo para barrar a entrada ou expulsar do país qualquer estrangeiro que incentive mensagens de ódio, discriminação ou violência contra cidadãos argentinos por sua nacionalidade, além de prever punições para atos considerados ofensivos aos símbolos nacionais.

“Diante das recentes manifestações de hostilidade contra a República Argentina e os argentinos, o Governo Nacional reafirma que a defesa da Nação, de seus cidadãos e de seus símbolos não é negociável. Quem atacar a República Argentina não é bem-vindo em nosso país”, declarou a Presidência.

Embora o governo argentino ainda não tenha divulgado os detalhes da regulamentação da medida, o comunicado oficial informa que o DNU passa a considerar motivo para impedimento de ingresso ou expulsão do território nacional os casos em que estrangeiros:

  • promovam mensagens de ódio contra argentinos;
  • incentivem discriminação contra cidadãos argentinos;
  • defendam ou estimulem violência contra argentinos em razão de sua nacionalidade;
  • pratiquem atos considerados ofensivos aos símbolos nacionais argentinos.

 

“Quem investiu mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina foi o Brasil”, declarou. 

Embaixador brasileiro permanece em Brasília

 

Em meio à crise, o embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, reuniu-se nesta quarta-feira (29) com Lula e com o chanceler Mauro Vieira.

Após o encontro, o governo decidiu mantê-lo em Brasília por tempo indeterminado enquanto acompanha a evolução da relação bilateral.

Segundo integrantes do Itamaraty, uma definição sobre eventual retorno a Buenos Aires dependerá da avaliação diplomática dos próximos dias e dos desdobramentos da crise.

Embora diplomatas brasileiros tenham visto como mais conciliadoras declarações feitas nesta quarta-feira pelo chanceler argentino Pablo Quirno, que afirmou que Milei não pretende romper relações com o Brasil, interlocutores do governo brasileiro observam que ainda não há sinais de um pedido de desculpas por parte do presidente argentino.

Enquanto isso, a embaixada brasileira em Buenos Aires permanece sob comando de um encarregado de negócios, o segundo posto na hierarquia diplomática.

Reações do governo brasileiro

 

Além de convocar o embaixador argentino em Brasília, o Itamaraty divulgou uma nota classificando as declarações de Milei como um episódio “sem precedentes” e “lamentável”.

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que não há registro recente de um chefe de Estado estrangeiro que tenha ofendido, em território brasileiro, o presidente da República, integrantes do Poder Judiciário e o povo brasileiro.

Em entrevista à TV Globo, o chanceler Mauro Vieira classificou as falas de Milei como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis” e disse que elas configuram interferência em assuntos internos do Brasil.

O presidente Lula também minimizou publicamente os ataques. Ao ser questionado por jornalistas sobre a crise, respondeu: quem é esse cara?

Segundo auxiliares do presidente, o governo procura evitar uma escalada ainda maior do conflito diplomático.

STF reagiu às declarações

 

Horas após o discurso de Milei em São Paulo, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, divulgou nota de repúdio.

Fachin afirmou que a referência feita por Milei a Alexandre de Moraes representou uma manifestação desrespeitosa contra um integrante da mais alta Corte do país por ato jurisdicional praticado de acordo com a Constituição brasileira.

O ministro também declarou que o tribunal deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve reger as relações entre Estados soberanos.

G1

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo