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Morre Edgar Morin, importante filósofo francês, aos 104 anos

O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin morreu nesta sexta-feira (29), aos 104 anos, em Paris. A informação foi divulgada por Nelson Vallejo Gomez, secretário pessoal e colaborador próximo do pensador, por meio das redes sociais. A causa da morte não foi informada.

Em publicação no Instagram, Gomez prestou homenagem ao intelectual francês e destacou sua trajetória acadêmica e humana.

“Edgar Morin tornou-se pura energia. Agora ele está muito mais intensamente presente em nós”, escreveu.

Quem foi Edgar Morin?

Considerado um dos maiores pensadores contemporâneos, Morin ficou conhecido mundialmente por desenvolver a teoria do “pensamento complexo”, uma abordagem que busca compreender os fenômenos humanos, sociais e científicos de forma integrada e multidisciplinar.

Nascido em Paris, em 8 de julho de 1921, Edgar Morin estudou Sociologia, Economia e Filosofia. Sua formação acadêmica foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial, período em que participou da Resistência Francesa contra a ocupação nazista.

Ao longo da carreira, tornou-se pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) e recebeu dezenas de títulos de doutor honoris causa em universidades de diversos países.

Morin defendia uma visão transdisciplinar do conhecimento e costumava afirmar que os grandes desafios da humanidade não poderiam ser compreendidos por uma única área do saber.

“Sou transdisciplinar”, dizia o filósofo ao explicar sua forma de interpretar o mundo.

Teoria do pensamento complexo

A principal contribuição de Morin para a filosofia e as ciências humanas foi a formulação do conceito de pensamento complexo.

A teoria propõe que os problemas da sociedade devem ser analisados levando em consideração as conexões entre diferentes áreas, como política, economia, cultura, ciência e meio ambiente.

Para o filósofo, compreender apenas uma parte de um fenômeno pode levar a interpretações incompletas da realidade. Suas ideias influenciaram pesquisadores, educadores e formuladores de políticas públicas em diversas partes do mundo.

Mesmo após completar 100 anos, Morin continuava participando de debates públicos e refletindo sobre os desafios do futuro.

Em uma homenagem realizada pela Unesco antes de seu centenário, o filósofo alertou para ameaças como a crise climática, o risco nuclear e os impactos das transformações tecnológicas sobre a humanidade.

Durante a pandemia de Covid-19, também chamou atenção para a falta de solidariedade global diante de problemas comuns. Segundo ele, a globalização aproximou economias, mas não necessariamente fortaleceu a consciência coletiva entre os povos.

Até os últimos anos de vida, Morin permaneceu ativo intelectualmente, publicando livros, concedendo entrevistas e participando de conferências ao redor do mundo.

Sua obra é considerada uma das mais influentes da filosofia, sociologia e educação contemporâneas.

SBT News

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