As varizessão uma doença crônica que atinge o sistema circulatório e exigem diagnóstico e tratamento adequados. Embora o problema seja frequentemente associado à estética, o médico Eraldo Arraes, diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), alerta que tratar “vasinhos” sem avaliação especializada pode trazer consequências graves à saude, como necrose da pele, trombose, infecções e reações alérgicas.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o especialista destacou que a escleroterapia — procedimento utilizado para tratar os “vasinhos” e pequenas varizes — tem sido banalizada e, muitas vezes, realizada por profissionais sem formação específica.
“A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular avalia esse cenário com extrema preocupação. A escleroterapia é um procedimento invasivo que exige diagnóstico médico prévio. A banalização do tratamento e a realização por profissionais sem formação específica colocam vidas em risco”, salienta Eraldo Arraes.
Entenda os riscos de tratar varizes sem acompanhamento médico adequado
Diante do aumento de casos de complicações fatais, o diretor de Defesa Profissional da SBACV reforça que especialistas da área têm atuado junto aos conselhos profissionais e à Justiça para combater a prática ilegal da medicina.
“Em maio, foi amplamente divulgada a notícia de uma mulher que veio a óbito durante um procedimento para tratamento de varizes no interior de São Paulo. Ainda sob investigação das autoridades, o episódio reacende discussões sobre segurança, qualificação profissional e os riscos relacionados à realização inadequada da técnica”, lamentou.
As varizes são veias que perderam a capacidade de bombear o sangue de volta para o coração
De acordo com Eraldo, um dos principais problemas está na forma como o tratamento passou a ser visto. “Muitas pessoas associam o tratamento de ‘vasinhos’ apenas à estética, mas existem doenças venosas que podem estar por trás dessas alterações. Quando o procedimento é realizado sem avaliação vascular adequada, o paciente pode receber um tratamento incorreto ou ter uma insuficiência venosa mais importante mascarada”, alerta.
Além de comprometer o diagnóstico correto, a escleroterapia feita de forma inadequada pode provocar complicações sérias. “O paciente pode desenvolver manchas permanentes, queimaduras químicas, necrose da pele, trombose, infecções, reações alérgicas e, em situações mais raras, eventos ainda mais graves”, esclarece.
A trombose é desencadeada pela formação de coágulos no interior dos vasos sanguíneos
Saiba como se proteger
Para orientar pacientes antes da realização do procedimento, Eraldo aponta alguns sinais de alerta. O primeiro deles é desconfiar de clínicas que não realizam avaliação clínica detalhada antes do tratamento.
“Promessas de resultados milagrosos, preços muito abaixo do mercado, realização do procedimento sem exames complementares e clínicas sem estrutura adequada para atendimento de possíveis complicações são pontos que devem ser levados em consideração antes de qualquer procedimento”, reforça.Outro cuidado importante é verificar se o profissional tem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em angiologia e/ou cirurgia vascular.
“Ter apenas o número de identificação profissional do Conselho Regional de Medicina (CRM) não garante que o médico apresenta especialização na área vascular. O paciente pode consultar o RQE e buscar profissionais habilitados para garantir mais segurança durante o tratamento”, reforça o médico.“A população também pode consultar o site oficial da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, que disponibiliza uma ferramenta pública para busca de especialistas certificados em todo o país”, emenda Eraldo Arraes.
Getty ImagesPromessas de resultados milagrosos e preços muito abaixo do mercado são sinais importantes a se avaliar antes de marcar qualquer procedimento de saúde