
O Ministério da Fazenda revisou suas estimativas macroeconômicas e elevou a projeção oficial da inflação no país para 4,5%. O índice anterior estimado pela equipe econômica do governo era de 3,7%. Com a nova revisão, a projeção oficial atinge exatamente o limite máximo tolerado pelo sistema de metas de inflação do governo federal.
Apesar da forte correção promovida pelo Ministério da Fazenda, os novos números do governo ainda são considerados otimistas quando comparados com o sentimento geral dos analistas. Segundo dados do Relatório Focus divulgados pelo Banco Central, a média das projeções das instituições financeiras para a inflação já caminha para 5%, situando-se atualmente em 4,92%.
O principal fator de pressão inflacionária vem do mercado internacional de commodities. O preço do barril de petróleo do tipo Brent registrou nova alta e fechou cotado a US$ 112. A valorização reflete o impasse diplomático e militar entre os Estados Unidos e o Irã, que impede o encerramento dos conflitos na região e bloqueia a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais vias de escoamento de combustível do planeta.
Como reflexo, a alta de preços de energia tem se espalhado de forma generalizada pelas economias norte-americana e brasileira.
Em contrapartida ao estresse inflacionário, o mercado de câmbio registrou um alívio pontual. Após a forte escalada registrada na semana anterior, a moeda norte-americana recuou e fechou cotada a R$ 4,99, quebrando a barreira psicológica dos R$ 5.
Atividade econômica oscila
Os reflexos da inflação e dos juros altos começaram a aparecer nos indicadores de atividade econômica. O Banco Central divulgou que a economia brasileira registrou uma retração de 0,7% no mês de março —um resultado mais severo do que o mercado financeiro antecipava.
O recuo de março interrompe um ciclo que havia começado de forma favorável. No balanço consolidado do primeiro trimestre, a atividade econômica acumulou um crescimento de 1,3%, impulsionada pelo desempenho positivo dos dois primeiros meses do ano.
Pacote de crédito para motoristas
Diante dos sinais de desaceleração da atividade econômica no fechamento do primeiro trimestre, a gestão federal planeja adotar medidas de estímulo ao consumo para tentar sustentar o crescimento a todo custo. O governo deve anunciar um novo programa de linhas de crédito destinado ao financiamento de veículos para motoristas de aplicativos e taxistas.
A iniciativa, contudo, divide opiniões entre analistas do setor financeiro. A economista Juliana Rosa adverte que a liberação de incentivos ao consumo em um cenário macroeconômico já pressionado traz riscos estruturais. A injeção de crédito pode alimentar ainda mais a inflação interna, elevar o patamar de autoendividamento das famílias e criar barreiras para que o Banco Central consiga dar continuidade ao ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic).
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