Uma pesquisa científica feita por membros da Universidade de Cantábria e do Hospital Marqués de Valdecilla (em Santander, na Espanha) e publicado no periódico Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism aponta a relação entre a vitamina D e a covid-19. O estudo foi divulgado nessa terça-feira (27).

De acordo com o estudo, baixos níveis da vitamina D foram mais frequentes em grupos internados com a doença em um hospital na Espanha em comparação a pacientes fora do hospital. Com isso, os pesquisadores constataram a deficiência de vitamina D entre 82,2% das pessoas hospitalizadas, contra 47,2% no grupo usado para “controle” do estudo.

Além disso, a pesquisa aponta que as pessoas hospitalizadas com baixos níveis de vitamina D mostraram um percentual maior (26,6%, com 12 dias) de internação em UTI do que pessoas com níveis satisfatórios de vitamina D (12,8%, com 8 dias no hospital). Outra descoberta do estudo foi que pessoas hospitalizadas com covid-19 e com baixos níveis de vitamina D tinham justamente maior probabilidade de terem também doenças crônicas.

Apesar disso, os autores notaram associação entre a presença de vitamina D e a covid-19, mas não uma causalidade, então ainda não é possível dizer concretamente que a deficiência de vitamina D leva ao adoecimento ou que o reforço desta vitamina protege contra a doença.

“Os níveis de vitamina D devem ser interpretados com cautela, uma vez que a população sob risco de uma infecção pelo (vírus) Sars-CoV-2 grave é provavelmente a mesma sob risco de deficiência de vitamina D”, diz trecho do artigo.

Os especialistas que assinaram a análise observam que os resultados publicados indicam que o reforço de vitamina D pode ser importante para grupos sob risco — como idosos vulneráveis a fraturas, osteoporose e perda muscular, mas reiteram que a conclusão obtida se limita a um hospital, o que impede a generalização, pelo menos por enquanto.

Essa não é a primeira vez que se faz uma relação entre a COVID-19 e a vitamina D. Em meados de setembro, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston, também publicados pela revista científica Public Library of Science One (PLOS ONE), apontaram que a suficiência de vitamina D está ligada a uma diminuição significativa do nível de marcadores inflamatórios dentro do organismo e a níveis mais elevados de células imunológicas no sangue.

Nesse caso, o grupo coletou amostras de sangue de 235 pacientes internados em hospitais e diagnosticados com a COVID-19. A partir disso, mediram os níveis de vitamina D e os associaram com a gravidade da infecção, a perda de consciência e a dificuldade para respirar. A análise observou que pacientes com mais de 40 anos que tinham níveis suficientes de vitamina D apresentavam 51% menos probabilidade de morrer em decorrência da COVID-19.

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