Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente aos anos de 2017 e 2018, mostra que 72,4% das famílias brasileiras vivem com alguma dificuldade para pagar despesas mensais, como contas, alimentos e aluguéis.

De acordo com o levantamento, faturas de água, luz e gás foram as que registraram os maiores índices de inadimplentes neste período. Entre o grupo analisado, 44,4% das unidades familiares são de pessoas negras, enquanto 27% são de membros majoritariamente brancos.

As informações fazem parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) divulgada nesta quinta-feira (19). O levantamento foi realizado entre junho de 2017 e julho de 2018, e pode ser usado para ponderar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador da inflação oficial no país.

 

De acordo com a POF, um em cada quatro famílias brasileiras tinham insegurança alimentar, ou seja, a dificuldade de acesso aos alimentos. Os dados apontam que a despesa média mensal por pessoa no Brasil foi de R$ 124,79 nos anos analisados pela pesquisa, nos quais R$ 95,51 são destinados ao pagamento de empréstimos, parcelamento de imóvel, automóvel e moto.

Apesar dos problemas financeiros apresentados pelos brasileiros, a pesquisa do IBGE mostra que as despesas entre as famílias são pulverizadas entre diversas categorias. O levantamento identificou que, em média, os brasileiros gastam por mês R$ 10,10 em apostas e jogos de azar, enquanto desembolsam R$ 5,90 com feijão. Os gastos com fumo foram, em média, de R$ 17,40, segundo os dados da POF. Já em relação à compra de arroz, os brasileiros pagaram R$ 12,70.

O professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joelson Sampaio, ressalta que a relação entre o preço dos jogos de azar e do fumo com os alimentos da cesta básica precisa ser contextualizada.

“O fato dessas pessoas gastarem mais com o cigarro não quer dizer que as pessoas estão abrindo mão do alimento para manter o hábito. Claro que terá pessoas que abrem mão do feijão para comprar o cigarro, mas não podemos generalizar”, informou o professor.

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