Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta voltou a criticar a atuação do governo federal na pandemia, pedindo que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o general Eduardo Pazuello, atual chefe de sua antiga pasta, parem de “brincar” e “improvisar”. Ele atribuiu essa “bateção de cabeça” à formação dos dois, ambos militares.

 

“Se colocar um médico ou um padre para comandar uma guerra, médico e padre não sabem matar. Militar não sabe cuidar, não sabe curar, não sabe promover saúde, por isso está dando essa bateção de cabeça. É um capitão [reformado] e um general, e ninguém sabe para que lado a saúde pública vai. Estamos sob uma intervenção militar burra”, disse Mandetta em entrevista à GloboNews.

 

Ele contou ter dado a Bolsonaro até as informações mais básicas sobre a doença — como explicações sobre como acontece o contágio pelo coronavírus, por exemplo —, mas “nem isso foi suficiente para que ele entendesse”. O ex-ministro ainda relata ter avisado ao presidente que o tratamento com hidroxicloroquina, que não tem eficácia comprovada contra a covid-19, era uma “falácia”.

“Infelizmente”, lamentou, “Bolsonaro preferiu dar ouvido àqueles que faziam os prognósticos que ele queria escutar. Fico muito triste de saber que, no dia de hoje, o desfecho que eu mostrei e entreguei para ele tenha se concretizado. É responsabilidade dele”.

 

Questionado sobre a suposta MP (Medida Provisória) que pretende centralizar a distribuição de vacinas, Mandetta a caracterizou como um “arbítrio muito grande”. A medida foi anunciada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), e seria editada pelo governo federal, mas ainda não foi confirmada pelo Ministério da Saúde.

 

A ideia da MP não repercutiu bem porque foi considerada um “confisco” das vacinas. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que critica Bolsonaro desde o início da pandemia, classificou a medida como uma “dose de insanidade” e um “ataque ao federalismo”.

Já Mandetta afirmou que o imbróglio só mostra que o Ministério da Saúde “está sem bússola”. “Já falou que a vacinação vai ser em março, depois em fevereiro. Depois não ia comprar a vacina da Pfizer, depois vai comprar. É hora de se fazer o pacto, parar de falar para fora e trazer a solução límpida para a população, que quer ter o direito de ser vacinada”, defendeu.

 

[Pazuello] Faz uma fala provavelmente política, induz o governador [Caiado] a repercutir essa fala e depois desfazer. Mais um capítulo dessa crônica da tragédia anunciada que a gente está vivendo.

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