A Direção Nacional do PT decidiu hoje pela intervenção no diretório municipal do partido em João Pessoa até o fim das eleições. Presente à reunião que tratou do assunto, a presidente Giucélia Figueiredo, que foi destituída do cargo, considerou a atitude da cúpula petista “ uma decisão truculenta , violenta que não terá efeitos práticos , pois a militância e a direção legitimamente eleita continuarão na campanha de Anísio Maia e das candidaturas proporcionais”.

Giucélia disse que recebeu com tristeza a decisão do diretório nacional: “Foi uma retaliação à candidatura de Anisio Maia e sabemos quem está por trás disso. Mas do ponto de vista legal não cabe interferência no rito da candidatura própria. Foi um ato de força desnecessário “, disse a dirigente afastada.

A intervenção se deu como forma de punir o diretório municipal por manter a candidatura de Anísio Maia a prefeito, já que a direção nacional decidiu apoiar Ricardo Coutinho, do PSB.

A propósito da queda de braço com a direção nacional do PT, a militância do partido na capital paraibana lançou um manifesto em defesa da candidatura própria e da instância partidária municipal. Confira

MANIFESTO DA MILITÂNCIA DO PT DE JOÃO PESSOA

A militância do Partido dos Trabalhadores de João Pessoa/PB, em Plenária realizada nesta segunda-feira, 12 de outubro, expressa seu repúdio a Direção Nacional do nosso partido ao tentar conduzir uma intervenção antidemocrática e injustificada no Diretório Municipal da cidade.

Na prática e ainda que temporariamente, isto significa a destituição da Presidenta Giucélia Figueiredo, bem como dos demais membros do Diretório Municipal, eleitos democraticamente. Em momento algum a nossa Instância Municipal descumpriu algum artigo de nosso estatuto partidário. Portanto, a abrupta proposta de intervenção é uma medida autoritária sem precedentes, tomada por uma maioria política circunstancial, revelando o pouco zelo destes dirigentes nacionais com o pleno funcionamento de nosso próprio partido.

O argumento da intervenção para a construção de uma frente de esquerda na cidade é inverídico. Não apenas em João Pessoa, mas em todo o país as esquerdas não conseguiram construir unidade já no primeiro turno destas eleições. Ou seja, não é plausível a utilização destes métodos em uma única cidade para supostamente resolver um problema de caráter nacional. Além disso, estes mesmos dirigentes nacionais que querem desmantelar nosso partido sob o pretexto de unidades da esquerda, aprovaram alianças com candidatos bolsonaristas, a exemplo do que ocorreu em Belford Roxo, no Rio de Janeiro.

Ademais, a candidatura do companheiro Anísio Maia, construída com anuência e apoio desta mesma Direção Nacional, conta com a fundamental parceria companheiros e companheiras do PCdoB, partido que indica o nome de companheiro Percival Henriques como candidato a vice-prefeito.

O companheiro Anísio Maia, que lutou contra a ditadura, sendo preso político, é fundador do PT e tem uma vida dedicada às lutas do povo brasileiro, merece por parte desta militância, toda solidariade e respeito. A estes sentimentos, acrescentamos a gratidão, por disponibilizar seu nome para mais este enfrentamento.

Não é verdade que a esquerda poderá enfrentar o bolsonarismo desmobilizando a militância de um partido com a relevância do PT. Tampouco é verdade que poderemos enfrentar o bolsonarismo sem um programa político que explicitamente defenda os interesses da classe trabalhadora.

Não iremos aceitar o desmonte do PT de João Pessoa como tentativa de punir uma candidatura própria construída de acordo com todos os parâmetros estatutários.

Aos companheiros e companheiras que almejam desmontar nosso partido a partir de uma enquete de aplicativo de bate-papo, lembramos que o respeito ao estatuto é a garantia de respeito às minorias partidárias e à nossa democracia interna. O PT é o mais importante instrumento político já construído pela classe trabalhadora de nosso país e não pertence aos dirigentes nacionais que querem terceirizá-lo às escolhas pessoais do ex-governador Ricardo Coutinho. Os interventores passarão, mas nosso partido permanecerá.

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